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Leia um trecho do conto a seguir. Tentação – Clarice...

Leia um trecho do conto a seguir.


Tentação – Clarice Lispector


Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.


Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazêla erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. (...)


LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.


Sobre o texto de Clarice Lispector, podemos considerá-la como uma escritora


A

do romantismo da segunda fase por apresentar um profundo sentimentalismo, subjetividade e fuga da realidade.


B

modernista da terceira fase, pois explora temas humanos, por meio da subjetividade, do tom intimista e psicológico.


C

pré-modernista, pois rompe com o academicismo e as suas personagens são marcadas pelas sua ousadia e marginalidade.


D

pós-modernista, por apresentar uma liberdade artística que mostra uma multiplicidade de estilos e combinações no texto.


E

simbolista, pois apresenta um texto subjetivo, holístico que busca inspiração na imaginação e nos sonhos da personagem.