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Leia os excertos a seguir com suas respectivas afirmações:...

Texto para as Questões de 01 a 05.


O VAZIO DA AUSÊNCIA DE AUTENTICIDADE


"Quando expectativas dos outros subtraem a vida que valorizamos"


1 No palco da vida, somos ensinados a interpretar diversos papéis que não

2 escolhemos. Todos têm algo a dizer sobre como devemos atuar e sobre o que devemos

3 ser. Todos querem escrever uma parte do roteiro. E, se não tivermos cuidado, a vida que

4 realmente valorizamos se esvai de nós, sendo substituída por uma existência voltada para

5 atender às inúmeras demandas dos outros.

6 A busca por aprovação começa muito cedo. Em várias famílias, os filhos tendem a

7 ser pressionados a seguir os caminhos desejados pelos pais, mesmo que essas

8 trajetórias não reflitam suas paixões.

9 A profissão “respeitável”, o casamento “ideal”, a religião “verdadeira”, a postura

10 “adequada”. Cada decisão passa a ser amplamente moldada por um desejo, mesmo que

11 não consciente, de evitar a desaprovação. Porém, quando evitamos decepcionar os

12 outros, não raramente estamos decepcionando a nós mesmos.

13 Esse contexto não acaba dentro de casa. Ele se estende até nossas amizades,

14 relacionamentos e ao ambiente de trabalho. É comum ver pessoas gastarem anos de

15 suas vidas em empregos que detestam, mas permanecem neles simplesmente pelo fato

16 de estes apresentarem certo prestígio social.

17 Talvez ainda mais comum seja a quantidade de talentos sufocados pelo medo de

18 seguir uma paixão por ser considerada arriscada demais ou irresponsável demais. Isso

19 leva não só a uma perda do que poderíamos ser mas também ao contínuo sofrimento de

20 viver uma vida que não nos pertence.

21 Na era digital, o outro, mesmo que distante, passou a aumentar a pressão de como

22 devemos atuar. Hoje, em vários casos, somos avaliados não apenas por aqueles que

23 conhecemos como pelos que não conhecemos. Cada postagem é um convite para um

24 julgamento. Nesse novo palco da vida, a performance é incessante. Mesmo que, nos

25 bastidores do espetáculo, se encontrem milhares de pessoas insatisfeitas e

26 completamente perdidas.

27 Nesse contexto, aumentou-se não só a pressão para viver de acordo com as

28 expectativas dos outros como, em muitos casos, parece que as pessoas passaram a

29 deixar de se conhecer.

30 Quem somos quando ninguém está olhando? Quais são os valores que realmente

31 importam para nós? Quais sonhos você deixou de lado porque eles não estavam

32 encaixados no roteiro? Do que você realmente gosta? Essas são perguntas que

33 raramente temos coragem de responder, porque elas nos convidam a confrontar o vazio

34 deixado pela ausência de autenticidade.

35 No entanto, recuperar a vida que valorizamos não é fácil, pois requer, em muitos

36 casos, a ousadia de ter que desapontar os outros. Nem todos aceitam bem quando

37 decidimos romper com aqueles valores que são considerados corretos, mas que nos

38 aprisionam por dentro.

39 Além disso, reconhecermos a vida que realmente valorizamos exige muita

40 introspecção. Exige uma desconexão das vozes externas que estão dizendo a todo

41 momento para onde devemos ir.

42 Em tal processo, é preciso ter em mente que isso não é uma escolha apenas no

43 âmbito pessoal, mas também uma escolha política. Uma sociedade na qual todos vivem

44 para atender às expectativas dos outros representa uma sociedade da conformidade, não

45 do progresso.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/michael-franca/2024/12/o-vazio-da-ausencia-de-autenticidad

e.shtml.

Leia os excertos a seguir com suas respectivas afirmações:


I. “E, se não tivermos cuidado, a vida que realmente valorizamos se esvai de nós, sendo substituída por uma existência voltada para atender às inúmeras demandas dos outros.” - A conjunção condicional “se” apresenta uma advertência ao leitor, estabelecendo relação de condição necessária: apenas mediante vigilância (“se não tivermos cuidado”) é possível evitar a substituição da vida valorizada por existência inautêntica.

II. “Porém, quando evitamos decepcionar os outros, não raramente estamos decepcionando a nós mesmos.”- O conector “Porém” introduz uma contraposição que inverte a lógica esperada: enquanto evitar decepcionar outros deveria gerar bem-estar, o autor demonstra que essa estratégia produz o efeito oposto - a autodecepção.

III. “Isso leva não só a uma perda do que poderíamos ser mas também ao contínuo sofrimento de viver uma vida que não nos pertence.” - A estrutura “não só… mas também” estabelece uma progressão argumentativa por gradação, na qual o segundo elemento (“contínuo sofrimento”) intensifica ou agrava o primeiro (“perda do que poderíamos ser”).

IV. “No entanto, recuperar a vida que valorizamos não é fácil, pois requer, em muitos casos, a ousadia de ter que desapontar os outros.” - O conector “pois” introduz uma ideia de conclusão, que ratifica a dificuldade mencionada anteriormente: recuperar a autenticidade é difícil porque implica confrontar expectativas alheias e relacionar o obstáculo (desapontar outros) à complexidade do processo de recuperação de uma vida autêntica.

V. “Nesse novo palco da vida, a performance é incessante. Mesmo que, nos bastidores do espetáculo, se encontrem milhares de pessoas insatisfeitas e completamente perdidas.” - O conector “mesmo que” introduz uma explicação, que complementa a ideia anterior sem estabelecer hierarquia qualitativa: após mencionar a recorrência da performance, o autor sinaliza outra dificuldade (insatisfação).


Assinale a alternativa CORRETA:


A

Estão corretas apenas I, II e III.


B

Estão corretas apenas I, II e IV.


C

Estão corretas apenas II, III e V.


D

Estão corretas apenas III, IV e V.