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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 21 a 30.
As doze uvas
Quis um Natal e um Ano-Novo românticos com Beatriz. Comemoramos antes com os parentes e partimos para as celebrações a dois na Espanha.
Quando estávamos na virada do ano em Barcelona, pensando onde brindar a estreia de 2026, Beatriz propôs a seguinte ideia:
— Vamos passar o Réveillon com a minha prima?
— Prima? Em Barcelona?
Não acreditei. Só era possível concluir que a família imensa de minha esposa possuía filiais por toda parte no universo. Se fosse em Paris, teria gente. Se fosse em Istambul, teria gente.
Os mineiros se espalham pelo mundo pelo prazer de receber um a um de seus conterrâneos, e demonstrar o quanto sentem saudade dos Gerais.
Jamais imaginaria que ela desfrutava de uma extensão de seu lar na capital da Catalunha.
Não é que eu gostei do convite inusitado? Muito melhor do que pagar 100 euros por cabeça, excluindo a bebida, em restaurantes incógnitos e impessoais, rodeado de desconhecidos. Ou padecer de frio na Praça da Espanha, esperando os fogos de artifício.
Minha vontade era agradecer a Beatriz pela iniciativa, mas poderia inflar o seu ego e ela vir com sua máxima: "sempre tenho razão". Permaneci calado com um sorriso no rosto. Não estouramos champanhe como nas edições anteriores no Brasil.
Não existiu nenhuma rolha explodindo no teto ou produzindo rasantes perigosos entre os convidados.
Mergulhamos na tradição espanhola igualmente ruidosa de engolir doze uvas na contagem regressiva. Um segundo e uma uva na boca. Quase virei o ano me engasgando.
O rito tem como objetivo atrair sorte, prosperidade e abundância nos doze meses. Cada uva representa um mês e um desejo específico (dinheiro, amor, saúde), mentalizados junto com as badaladas do relógio.
Não chegamos ao preciosismo catalão de adotar a prática debaixo da mesa, ou guardar as sementes para reforçar a expectativa de fortuna. Não me apetecia tirar as sementes minúsculas dos dentes e estocá-las no bolso. Participamos da superstição de modo amador, abdicando da extravagância dos ortodoxos que engatinham no chão entre as cadeiras.
Eu devo ter devorado 15 uvas de tão ansioso que fiquei. Já Beatriz se atrasou e mastigou nove, e se mostrou preocupada por não cumprir os requisitos.
Ela me perguntou, assustada:
— E agora, será sinal de azar?
Eu lhe respondi:
— Não se estressa, eu empresto três uvas. Somando, finalizamos as vinte e quatro.
E nos beijamos, misturando as promessas, renovando nossa paixão dentro do amor.
CARPINEJAR, Fabrício. As doze uvas. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2026/1/16/as-doze-uvas . Acesso em: 14 abr. 2026.
Considerando o período "Eu devo ter devorado 15 uvas de tão ansioso que fiquei.", analise as relações sintáticas estabelecidas entre as orações e assinale a alternativa CORRETA:
A estrutura "de tão ansioso que fiquei" configura uma oração subordinada adverbial consecutiva, exprimindo resultado intensificado em decorrência do estado mencionado.
O segmento "que fiquei" constitui oração subordinada adjetiva restritiva, pois especifica o estado emocional expresso anteriormente e delimita semanticamente o termo "ansioso".
O trecho "de tão ansioso" integra uma oração subordinada substantiva completiva nominal, funcionando como complemento exigido pelo núcleo verbal da oração principal.
A sequência apresenta coordenação entre orações independentes, visto que os conectores empregados não estabelecem relação de dependência sintática entre os segmentos.