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Considere os fragmentos de texto abaixo para as questões 01 a 09:
TEXTO I
Cérebro humano tem facilidade para se adaptar a situações adversas e trágicas
O órgão tem capacidade de naturalizar situações como a que estamos vivendo atualmente, com a pandemia, mas isso não pode ser usado como argumento para justificar falta de empatia, diz Eliane Comoli
11/06/2021 - Por Kaynã de Oliveira
Depois de um ano e meio de pandemia, talvez você tenha percebido que algumas pessoas podem se sensibilizar mais do que outras em relação à catástrofe que o Brasil vive. Diariamente, ocorre um bombardeio devido às atualizações dos números da doença, revelando altas contagens de óbitos e casos de infecção. É como se a tragédia tivesse entrado na rotina e o cérebro passasse a naturalizar a situação terrível.
De fato, o cérebro é capaz de se acostumar mesmo em momentos tão difíceis como agora a partir de um processo denominado neuroplasticidade, como explica a neurocientista Eliane Comoli, docente do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. “O ser humano tem uma grande capacidade de adaptação ao mundo graças à possibilidade que o cérebro tem de moldar-se mediante diferentes demandas do cotidiano, de modo que, tudo o que experienciamos é capaz de alterar os circuitos neurais já estabelecidos.” [...]
Fonte: www.jornal.usp.br
TEXTO II
Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. [...]
Fonte: https://recantodopoeta.com/ (com alterações)
Na oração “De fato, o cérebro é capaz de se acostumar mesmo em momentos tão difíceis como agora a partir de um processo denominado neuroplasticidade”, o adjetivo “capaz” é complementado por uma oração cuja exclusão geraria incompletude sintática e semântica. Essa oração desempenha a função de
sujeito.
complemento verbal.
complemento nominal.
agente passiva.