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TEXTO 2
Eu, o Poema Hoje — que hoje? Que o hoje,
só seu, não é o mesmo que o meu. Eu, o poema, não vibro
no ar, se ninguém me leu.
Não deixa que o livro te engane:
foi corpo o que me aconteceu,
e se hoje eu, cantando, sou canto,
seu corpo é que me reviveu:
por este ectoplasma estranho
de som, de inscrição, de sonho,
seu corpo bate no meu.
Hoje, quem diz o poema
não sei se sou eu ou eu.
MOSTAZO, João. Eu, o poema. In: MOSTAZO, João. Coisa de
mamíferos. São Paulo: Editora 34, 2023.
No verso:
“seu corpo bate no meu.”
a palavra “corpo” foi empregada em sentido predominantemente:
denotativo, indicando apenas o corpo físico do leitor e do poeta.
científico, relacionado ao funcionamento biológico humano.
conotativo, sugerindo uma aproximação viva e simbólica entre leitor e poema.
técnico, representando a estrutura material do livro.
literal, indicando contato corporal explícito entre duas pessoas.