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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 8.
Cegueira por desatenção: por que às vezes você não vê o que está diante dos olhos
Muitas pessoas vão reconhecer essa situação tão comum. Alguém insiste que um objeto simplesmente não está ali, que é impossível de encontrá-lo, apesar de dizer que fez uma busca minuciosa e eficaz. Outra pessoa chega, dá uma olhada rápida no mesmo lugar e encontra o objeto quase de imediato.
"Está bem debaixo do seu nariz!"
Essa situação frustrante (para os dois envolvidos) revela algo fundamental sobre como o cérebro funciona. Encontrar objetos em ambientes do nosso dia a dia depende de um processo chamado busca visual, e nosso cérebro não é tão eficiente nisso.
Mesmo quando algo está à nossa frente, o cérebro pode não perceber que ele está ali. Em outras palavras, olhamos, mas não vemos.
À primeira vista, procurar algo parece simples. Olhamos uma superfície — a bancada da cozinha, a mesa de trabalho, a gaveta de "tudo" — até encontrar o objeto.
Mas o cérebro não consegue analisar todos os elementos de uma cena ao mesmo tempo. Por isso, se baseia na atenção, seleciona algumas características e deixa o restante de lado.
Os psicólogos costumam descrever a atenção como um holofote que percorre o campo visual. Onde ele se concentra, a informação é processada em detalhes. O que fica fora dele recebe muito menos atenção.
Existe uma razão anatômica para o olhar se mover o tempo todo. O centro da retina — a fóvea — concentra a visão mais nítida. Mas ocupa apenas uma pequena parte do campo visual, do tamanho aproximado da unha do polegar e na distância do braço estendido.
Para enxergar bem uma cena, os olhos precisam se mover repetidamente, levando diferentes partes do ambiente a essa pequena área de alta resolução.
Esses movimentos são movimentos sacádicos, também conhecidos como "sacadas", e acontecem o tempo todo. Mesmo quando achamos que estamos olhando fixamente para algo, os olhos se movem discretamente de um ponto a outro.
Na maioria das vezes, esse sistema funciona muito bem. Ele permite que a gente se oriente em ambientes visuais complexos sem ficar sobrecarregado de informação.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c74rlpw24ljo-fragmento
Os psicólogos costumam descrever a atenção como um holofote que percorre o campo visual. Onde ele se concentra, a informação é processada em detalhes. O que fica fora dele recebe muito menos atenção."
Considerando os valores semânticos dos vocábulos utilizados no trecho e no texto, assinale a alternativa incorreta.
O vocábulo 'percorre' é empregado em sentido conotativo, pois atribui ao fenômeno cognitivo da atenção uma característica de movimento físico e deslocamento que pertence originalmente ao campo semântico dos seres e objetos concretos.
O vocábulo 'nítida', em 'concentra a visão mais nítida', é empregado em sentido denotativo, indicando qualidade técnica da imagem captada pela fóvea, mas em 'tinha uma visão nítida do que queria para sua vida' assume sentido conotativo.
O vocábulo 'campo' é empregado em sentido denotativo, referindo-se à área física captada pelos olhos, assim como ocorre em 'campo de futebol' e 'campo magnético', expressões que compartilham o mesmo sentido.
O emprego de 'holofote' em sentido conotativo é um recurso estilístico intencional, traduzindo de forma acessível um conceito científico complexo, aproximando o leitor do fenômeno descrito.