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O emprego dos verbos “Penso” e “Sinto” no presente do indicativo, em contraste com “passei” no pretérito perfeito, produz um efeito discursivo específico no trecho “Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá”. Assinale a alternativa que o descreve corretamente.
O emprego do presente do indicativo em “Penso” e “Sinto” indica que as ações ocorrem no exato momento da enunciação escrita, em contraste com “passei”, que situa o evento da quarentena em um passado remoto e definitivamente encerrado, sem qualquer ligação com o estado presente da narradora.
Os verbos “Penso” e “Sinto” no presente do indicativo exercem função de presente histórico, transpondo para o plano da atualidade enunciativa os eventos ocorridos durante a quarentena e criando o efeito de dramatização e vivacidade narrativa típicos do gênero crônica.
O contraste entre o presente (“Penso”, “Sinto”) e o pretérito perfeito (“passei”) configura uma estrutura de memória discursiva em que a narradora ancora suas percepções e sentimentos atuais em experiências passadas, produzindo o efeito de que o passado ainda ressoa e condiciona o estado presente.
O contraste temporal entre presente e pretérito perfeito sinaliza, na crônica, uma ruptura narrativa: o presente representa o tempo da escrita, distante e reflexivo, enquanto o pretérito perfeito recupera o tempo da ação imediata, revelando que a narradora superou completamente os eventos passados.