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No período retirado do texto “‘Os rios de hoje separam...

Uma fonte de biodiversidade


Por Igor Zolnerkevic


  1. Uma equipe liderada pelos geólogos Cristiano Galeazzi, da Universidade de Tecnologia
  2. de Chengdu, na China, e Renato Almeida, da Universidade de São Paulo (USP), reconstruiu as
  3. mudanças no curso de oito dos principais rios da Amazônia Central, ao longo de cerca de 500
  4. mil anos. Entre eles estão o Solimões (nome do rio Amazonas antes da confluência com o rio
  5. Negro) e alguns de seus afluentes, como o Juruá e o Madeira. O estudo sugere que o
  6. deslocamento desses rios pela planície amazônica poderia explicar ___ distribuição atual de
  7. seis grandes áreas de endemismo – regiões delimitadas pelos rios atuais, onde vivem muitas
  8. espécies exclusivas, sobretudo aves e macacos.
  9. A pesquisa demandou viagens ____ floresta para analisar as camadas sedimentares de
  10. grandes barrancos expostos nos rios Solimões e Japurá, mas começou na frente do
  11. computador. Analisando imagens de radar de alta precisão do terreno da Amazônia Central,
  12. obtidas durante uma missão do ônibus espacial Endeavour, da Nasa, em 2000, os
  13. pesquisadores identificaram conjuntos de cristas e depressões em forma de arcos, com mais
  14. de 2 km de raio, espalhados pelo interior da floresta. Esses vestígios de meandros abandonados
  15. são uma prova de que os grandes rios da região já cruzaram terrenos hoje mais elevados de
  16. seus canais. “Os rios migravam por áreas bem mais amplas”, afirma Galeazzi.
  17. De acordo com o estudo publicado em maio na revista Science Advances, até cerca de
  18. 350 mil anos atrás, a Amazônia Central era uma planície ainda mais suave, com rios
  19. serpenteando entre florestas e pântanos frequentemente alagados – uma paisagem distinta da
  20. atual, marcada por terraços de florestas de terra firme, cortados por vales com florestas de
  21. várzea. À medida que mudava de curso, cada rio depositava grandes quantidades de areia e
  22. lama ao longo de extensas áreas chamadas de leques aluviais. Esse cenário começou a mudar
  23. há cerca de 350 mil anos, quando quedas no nível do mar, associadas ___ aumento do gelo
  24. nas calotas polares, reduziram o nível dos rios, que passaram a escavar vales mais profundos.
  25. “Com a incisão dos vales, áreas mais altas ficaram fora do alcance das águas dos rios,
  26. transformando leques em terra firme”, explica Galeazzi.
  27. O processo se repetiu ao menos quatro vezes, em episódios separados por dezenas de
  28. milhares de anos, expandindo a área coberta pelos terraços de 150 m a 30 m de altura. Ao
  29. mesmo tempo, o avanço da terra firme permitiu a colonização gradual da planície por espécies
  30. vindas de regiões vizinhas mais elevadas. Cada população de espécies ocupou seis áreas
  31. distintas separadas pelos rios. “Os rios de hoje separam ecossistemas que antes estavam mais
  32. distantes uns dos outros”, explica o geólogo.
  33. Essas evidências sugerem uma interpretação mais complexa da hipótese proposta
  34. inicialmente pelo naturalista britânico Alfred Russel Wallace (1823-1913), segundo a qual os
  35. grandes rios amazônicos seriam barreiras geográficas capazes de separar espécies de animais
  36. distintas em margens opostas. O estudo mostrou que a diversificação de espécies antecede a
  37. paisagem atual, e que os rios funcionam como barreiras dinâmicas, criando, modificando,
  38. separando e aproximando hábitats ao longo do tempo.


(Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-fonte-de-biodiversidade/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

No período retirado do texto “‘Os rios de hoje separam ecossistemas que antes estavam mais distantes uns dos outros’, explica o geólogo”, a oração “que antes estavam mais distantes uns dos outros” é classificada como:


A

Oração subordinada adjetiva restritiva, exercendo a função de especificar quais ecossistemas são separados pelos rios.


B

Oração coordenada explicativa, acrescentando uma informação adicional sobre “ecossistemas”.


C

Oração subordinada adverbial temporal, indicando o momento em que os ecossistemas estavam distantes.


D

Oração coordenada sindética conclusiva, expressando a consequência da ação principal.