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Considerando as características de gênero e tipo textual...

Musculação reprograma células do fígado e ajuda a reverter danos da obesidade


Por Maria Fernanda Ziegler


  1. Estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que os
  2. benefícios da musculação vão além do ganho de músculos e da perda de gordura. Em
  3. experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram que o treinamento de força
  4. induz uma verdadeira reprogramação molecular no fígado. A descoberta ajuda a entender
  5. como a prática modula o funcionamento do genoma para mitigar a doença hepática
  6. esteatótica — condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no órgão e intimamente ligada
  7. ao surgimento do diabetes tipo 2.
  8. “Queríamos entender como algo que ocorre nos músculos poderia interferir e beneficiar
  9. um problema no fígado. Para isso, fomos investigar o cerne do metabolismo, que é o nosso
  10. DNA. O objetivo foi compreender como a obesidade agride esse DNA e, depois, como a
  11. musculação consegue protegê-lo”, relata Leandro Pereira de Moura, professor da Faculdade
  12. de Ciências Aplicadas (FCA-Unicamp) e coordenador da pesquisa. Os resultados do estudo
  13. foram divulgados em novembro na revista Life Sciences.
  14. Para descobrir como o trabalho muscular impacta o fígado, a pesquisa focou na
  15. epigenética. Essa área da ciência avalia de que forma fatores externos — como hábitos de
  16. vida e condições ambientais — alteram o funcionamento dos genes sem modificar o código
  17. do DNA.
  18. Um dos fenômenos estudados é a metilação do DNA. Ela consiste na adição de uma
  19. molécula química (o grupo metil) na chamada região promotora do gene, que funciona como
  20. o “botão de ligar”, atuando como uma barreira física que torna o gene menos acessível para
  21. as enzimas da célula, inibindo a sua atividade. Nos experimentos com roedores, os
  22. pesquisadores verificaram que oito semanas de musculação foram suficientes para alterar a
  23. metilação do gene MTCH2 (homólogo 2 do transportador mitocondrial), fortemente envolvido
  24. na forma como o fígado processa e utiliza a energia.
  25. Como explica Moura, a obesidade obriga o fígado a trabalhar em um ambiente tóxico. O
  26. excesso de gordura se acumula nos hepatócitos — as principais células do fígado —,
  27. desencadeando uma inflamação crônica e falhas nas mitocôndrias, que são as “usinas de
  28. energia” celulares. O fígado busca se regenerar, mas, sem energia suficiente, esse processo
  29. falha. O tecido sadio vai sendo substituído por tecido cicatricial (fibrose) em um processo que
  30. destrói aos poucos a função do órgão. Nesse cenário de estresse extremo, o corpo desregula
  31. o funcionamento do gene MTCH2, acelerando ainda mais a progressão da doença. Nos
  32. experimentos, os cientistas observaram algo intrigante: embora as células do fígado até
  33. emitissem o comando genético (RNA mensageiro) para ativar o MTCH2, a quantidade final da
  34. proteína ligada a esse gene diminuiu. Segundo Moura, isso ocorre porque a musculação
  35. devolveu a capacidade energética ao órgão e reduziu a inflamação. Ao perceber que o
  36. ambiente não era mais tóxico, o organismo desligou o “modo de emergência”. Sem o estresse
  37. celular e os sinais de autodestruição, o próprio corpo bloqueou as etapas finais de formação
  38. dessa proteína.
  39. Um dos papéis do fígado é ajudar a manter estável o nível de açúcar no sangue
  40. (glicemia) para garantir o funcionamento dos órgãos. Sob o comando da insulina, o fígado
  41. armazena o açúcar excedente na forma de glicogênio; já nos períodos de jejum, ele libera
  42. essa reserva na corrente sanguínea. Em condições normais, a insulina funciona como um
  43. mensageiro que avisa o fígado para parar de liberar glicose quando o corpo já está abastecido.
  44. Mas quando o órgão está sufocado pela gordura e inflamado, ele desenvolve resistência à
  45. insulina, ou seja, fica “surdo” a esse aviso. Um dos achados da pesquisa é que, nos roedores
  46. obesos que praticaram treinamento de força, o fígado recuperou a sensibilidade à insulina.
  47. Os resultados também indicam que a atividade física inibiu a ação de enzimas que
  48. causam a fibrose e o crescimento celular desordenado. E impulsionou a produção de ATP5,
  49. proteína essencial para a geração de energia mitocondrial. “Com energia abundante, as
  50. células saem do estado de alerta e deixam de ativar o gene MTCH2, favorecendo a
  51. regeneração do tecido”, resume Moura. “Levantar pesos fortalece não só os músculos, mas
  52. também controla como o DNA do fígado funciona”.

(Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/07/musculacao-reprograma-celulas-do-figado-e-ajuda-a-reverter-danos-da-obesidade.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando as características de gênero e tipo textual presentes no texto, assinale a alternativa correta.


A

Predominam as sequências narrativas, organizadas conforme a temporalidade das etapas da pesquisa realizada, com o objetivo de relatar cronologicamente as ações dos pesquisadores e suas descobertas.


B

Trata-se de um artigo de divulgação científica, que apresenta resultados de uma pesquisa a um público não especializado, com predominância de sequências expositivas ao longo do texto.


C

Trata-se de um artigo de opinião, cujo objetivo principal é convencer o leitor, por meio de sequências argumentativas contrastivas, da superioridade da musculação sobre outras modalidades esportivas.


D

Predominam as sequências imperativas, visto que o texto tem o objetivo de orientar o leitor sobre a execução correta de treinamentos de força, apresentando recomendações práticas para a realização de exercícios.