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O romance São Bernardo, de Graciliano Ramos é um registro...

O romance São Bernardo, de Graciliano Ramos é um registro de impressões pessoais do narrador. Ao iniciar a tarefa de escrever o romance, esse narrador pensava em dividi-la entre amigos, mas logo apareceram as dificuldades, como indica o seguinte trecho:


“O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso primeiro encontro, o redator do Cruzeiro apresentou-me dois capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: — Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!

Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode? perguntei com assombro. E por quê?

Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.”


Pode-se inferir da discussão entre o narrador e Azevedo Gondim que


A

para o narrador, a língua falada só deveria ser empregada na comunicação diária.


B

para Azevedo Gondim, a literatura deveria ser um espaço em que se valorizasse a norma culta.


C

para Azevedo Gondim, a língua utilizada na literatura deveria ser a linguagem do público leitor.


D

para o narrador, a literatura deveria empregar uma linguagem que se aproximasse da língua falada.


E

para o narrador e para Azevedo Gondim, o público leitor prefere a língua falada na literatura por ser de mais fácil compreensão.