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Assinale a alternativa que apresenta a correta reescrita do...

Um pé de cedro

Por Adriana Antunes

  1. Aos cinco anos de idade, depois de um passeio que eu e meu pai fazíamos pelo interior,
  2. ganhei dele uma muda de cedro, colhida durante o caminhar. Plantamos no pátio de casa, perto
  3. da rua. Cedro é uma árvore nativa de grande porte, tem um perfume marcante. Três anos
  4. depois, o asfalto chegou ___ nossa rua. Lembro das máquinas, do calor do piche e do barulho.
  5. Mais dois anos e o terreno teve de ser cercado. Meu pai dizia que deixar como estava era muito
  6. perigoso, pois se antes só passava tobata e trator, agora passavam carros, caminhões e todo
  7. tipo de gente. Era melhor fechar tudo. Não foi fácil. Meu pé de cedro ficava bem onde um poste
  8. de luz precisava ser posto.
  9. Lembro que foi uma briga, a qual perdi. A pequena árvore fora cortada antes mesmo de
  10. ter engrossado o tronco. Para compensar, meu pai me deu uma araucária. Ela já existia no
  11. terreno, mas ele disse que eu poderia considerar a árvore como sendo minha. Aceitei, ___ a
  12. contragosto, embora gostasse muito dos pinhões tardios que ela nos ofertava todo ano. Aquela
  13. imensa árvore virou minha confidente, no correr dos anos. Sentava junto dela e lhe contava
  14. do meu dia. Você já teve uma árvore-amiga?
  15. O bairro foi crescendo e finalmente meus pais iriam conseguir construir a casa com que
  16. tanto tinham sonhado. Lembro do meu pai me chamando para conversar, dizendo que era para
  17. que eu ficasse atenta, pois um fiscal viria à nossa casa entregar uma autorização para o corte
  18. do pinheiro. A informação chegou como uma traição. Mas desta vez não briguei, tinha 16 anos
  19. e já me sabia perdedora nesta disputa. Conversei longamente com a araucária e, sim, fui eu
  20. quem recebeu o fiscal.
  21. No dia em que a derrubaram, o bairro parou para assistir. Eu saí de casa logo cedo. Me
  22. neguei a ver a árvore tombar. Ela era minha amiga. Só voltei no final do dia. A cena que não
  23. me abandona é de um céu limpo e enlouquecido pelos pássaros que voavam desnorteados com
  24. a ausência da árvore.
  25. ___ anos convivo com árvores sendo derrubadas. Tenho uma infinidade de histórias
  26. tristes para contar. Mas encaro a tristeza como um ato político. É preciso que consigamos nos
  27. entristecer diante da degradação do mundo, em todos os sentidos. Estamos alienados demais
  28. pelo consumo, anestesiados de tanta medicação, ficando cada vez mais imbecis pelo uso da
  29. tecnologia e da IA.
  30. O mundo é um acontecer junto e o modo como nos relacionamos com ele fala da nossa
  31. (in)capacidade de nos responsabilizarmos. Me questiono sobre o modo como tratamos o meio
  32. ambiente. Estamos iludidos, demasiadamente iludidos para achar que a fatura do modo como
  33. tratamos a natureza não vai chegar. Ou já chegou e nem nos demos conta?

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/um-pe-de-cedro-cmqznhwxg00c2015tlwtwlvqp.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta a correta reescrita do trecho a seguir, retirado do texto, sem causar alterações significativas ao seu sentido.


“No dia em que a derrubaram, o bairro parou para assistir”.


A

Assim que a derrubaram, o bairro parou e assistiu a tudo parado.


B

Quando a derrubaram, o bairro parou para que as pessoas pudessem assistir.


C

Logo que a derrubaram, o bairro assistiu a tudo e depois ficou parado.


D

No momento em que a derrubaram, o bairro parou de assistir a tudo.