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Leia o texto a seguir para responder às questões de 02 a 11:
Se é verdade que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria, então essa verdade é um triste comentário à sabedoria do homem moderno. Quaisquer que sejam os méritos de nosso elevado grau de educação literária e universal, perdemos o dom de ficar perplexos. Imagina-se que tudo seja conhecido – se não por nós, por algum especialista cujo mister seja saber aquilo que não sabemos. De fato, ficar perplexo é constrangedor, um indício de inferioridade intelectual. Até as crianças raramente se surpreendem, ou pelo menos procuram não demonstrar isso; à medida que vamos envelhecendo, aos poucos perdemos a capacidade de ficar surpresos. Saber as respostas certas parece ser o principal; em comparação, considera-se insignificante o saber fazer as perguntas certas.
Quiçá seja esta atitude uma razão por que um dos mais enigmáticos fenômenos de nossa vida, os nossos sonhos, dê margem a pouco espanto e suscite tão poucas perguntas. Todos sonhamos; não entendemos nossos sonhos e, no entanto, agimos como se nada de estranho ocorresse em nossas mentes adormecidas, estranho ao menos em comparação com as atividades lógicas, deliberadas, de nossas mentes quando estamos acordados.
Quando acordados, somos seres ativos, racionais, ávidos por tentar obter o que desejamos e prontos a defender- -nos contra qualquer ataque. Agimos e observamos; vemos o mundo exterior, talvez não como seja, mas no mínimo de maneira tal que o possamos usar e manipular. Todavia, também somos bastante desprovidos de imaginação e raramente – exceto quando crianças ou poetas – logramos conceber mais do que meras duplicações dos acontecimentos e tramas de nossa experiência concreta. Somos eficientes, mas um tanto desenxabidos. Denominamos o campo de nossa observação diurna “realidade” e orgulhamo-nos de nosso “realismo” e de nossa habilidade em manipulá-la.
Quando estamos dormindo, despertamos para uma outra forma de existência. Sonhamos. Inventamos estórias que nunca aconteceram e que, muitas vezes, não tiveram precedente na realidade. Às vezes somos o mocinho, outras o bandido; às vezes vemos as mais belas cenas e sentimo-nos felizes, mas amiúde ficamos extremamente aterrorizados. Qualquer que seja o papel que desempenhamos no sonho, porém, nós somos o autor, o sonho é nosso, nós inventamos o enredo.
(Erich Fromm, A linguagem esquecida, 1980. Adaptado)
O enunciado com base no texto que se apresenta em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal e nominal é:
As perguntas certas parecem serem o principal, e não as perguntas certas.
O campo de nossas experiências diurnas são chamadas de realidade.
Sonha-se, inventam-se estórias nunca havidas e sem precedentes.
Mais de uma bela cena são vistas e isso sempre nos deixam felizes.
Às vezes, é bom belas cenas, e ficamos o mais possíveis felizes com elas.