Imagem de fundo

Identifica-se emprego da voz passiva no trecho:

Atenção: Considere o texto a seguir para responder às questões de números 7 a 12.

A falsa eternidade

O verbo prorrogar entrou em pleno vigor, e não só se prorrogaram os mandatos como o vencimento das dívidas e dos compromissos de toda sorte. Tudo passou a existir além do tempo estabelecido. Em consequência não havia mais tempo.

Então suprimiram-se os relógios, as agendas e os calendários. Foi eliminado o ensino de História. Para que História? Se tudo era a mesma coisa, sem perspectiva de mudança.

A duração normal da vida também foi prorrogada e, porque a morte deixasse de existir, proclamou-se que tudo entrava no regime de eternidade. Aí começou a chover, e a eternidade se mostrou encharcada e lúgubre. E o seria para sempre, mas não foi. Um mecânico que se entediava em demasia com a eternidade aquática inventou um dispositivo para não se molhar. Causou a maior admiração e começou a receber inúmeras encomendas. A chuva foi neutralizada e, por falta de objetivo, cessou. Todas as formas de duração infinita foram cessando igualmente.

Certa manhã, tornou-se irrefutável que a vida voltara ao signo do provisório e do contingente. Eram observados outra vez prazos, limites. Tudo refloresceu. O filósofo concluiu que não se deve plagiar a eternidade.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis, edição digital, 2025)

Identifica-se emprego da voz passiva no trecho:


A

Todas as formas de duração infinita foram cessando igualmente.


B

O verbo prorrogar entrou em pleno vigor.


C

A duração normal da vida também foi prorrogada.


D

começou a receber inúmeras encomendas.


E

Em consequência não havia mais tempo.