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Atenção: Considere o trecho de uma carta do escritor latino Sêneca para responder às questões de números 1 a 7.
Em primeiro lugar, é preciso dizer que a morte está sempre presente, quer para O velho ou para o jovem. Depois ninguém é tão velho que não possa reivindicar para si mais um dia. Um dia é um degrau na vida. Toda vida consta de partes, e elas formam círculos concêntricos maiores e menores. Há um que abraça a todos e os fecha: é o círculo do dia do nosso nascimento até a morte. Outro compreende apenas os anos da juventude; há o que abarca toda a infância. Finalmente há o ano que por si só e em si contém um ciclo completo de tempo a partir do qual contamos a vida. Um círculo menor contém os meses. A rotação de um dia constitui o menor círculo que passa, como os outros, do seu início ao fim, da aurora ao ocaso. Portanto, todo dia deve ser ordenado como encerrando uma marcha, como se fosse o último e supremo dia de nossa vida.
Marco Pacúvio costumava realizar um sacrifício fúnebre para si mesmo, com as libações e os famosos banquetes funerários. Em seguida, fazia-se levar da sala ao seu quarto enquanto os criados cantavam em grego com acompanhamento musical: "Ele está morto! Sua vida já passou!" Pacúvio não passava um só dia sem realizar esse ritual. Façamos, no entanto, e com intenções honestas, o que aquele desabusado fazia como espetáculo. Ao dormir, digamos com alegria e contentamento: "Vivi. Percorri o curso que a fortuna traçou para mim." Se Deus nos conceder um dia a mais de acréscimo, recebamos com alegria. É um homem muito feliz e com plena posse de si mesmo aquele que espera o amanhã sem inquietude. Todo aquele que diz "já vivi" recebe cotidianamente mais um dia como lucro.
Mas já devo concluir esta carta. "Então irás terminá-la desse modo, sem nenhum acréscimo para mim?", é o que me dirias. Nada temas, pois ela nos dá algo. Por que disse "algo"? Ela nos dá muito. Há, com efeito, algo mais belo do que aquilo que te darei agora? "É um mal viver sob o jugo das necessidades, mas não é necessário viver sob a necessidade."
(Adaptado de: Sêneca. Sobre os enganos do mundo. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011, p. 9-11)
Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
Percorri o curso que a fortuna traçou para mim.
Há um que abraça a todos e os fecha: é o círculo do dia do nosso nascimento até a morte.
É um mal viver sob o jugo das necessidades, mas não é necessário viver sob a necessidade.
A rotação de um dia constitui o menor círculo que passa, como os outros, do seu início ao fim, da aurora ao ocaso.
Portanto, todo dia deve ser ordenado como encerrando uma marcha, como se fosse o último e supremo dia de nossa vida.