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Atenção: Considere o texto a seguir para responder às questões de números 8 a 12.
O cinema, que, evidentemente, sempre foi uma arte de entretenimento voltada para o grande público, teve também, às vezes como corrente marginal e outras como central, grandes talentos que, apesar das difíceis condições em que os cineastas sempre precisaram trabalhar por razões de orçamento e dependência das produtoras, foram capazes de realizar obras de grande riqueza, profundidade e originalidade, com inequívoca marca pessoal. Mas, nossa época, em conformidade com a inflexível pressão da cultura dominante, privilegia o engenho em vez da inteligência, as imagens em vez das ideias, o humor em vez da sisudez, o banal em vez do profundo e o frívolo em vez do sério.
Não surpreende que, na era do espetáculo, no cinema os efeitos especiais tenham passado a ter um protagonismo que relega a segundo plano temas, diretores, roteiros e até atores. Pode-se alegar que isso se deve em boa parte à prodigiosa evolução tecnológica dos últimos anos, e que agora é possível fazer verdadeiros milagres no campo da simulação e da fantasia visuais. Em parte, sem dúvida. Mas, por outro lado, por acaso o principal, isso se deve a uma cultura que propicia o menor esforço intelectual, a ausência de preocupação, angústias e, em última instância, pensamento, em favor da entrega em atitude passiva àquilo que o agora esquecido Marshall McLuhan — sagaz profeta do caráter que a cultura de hoje adquiriria — chamava de “banho de imagens”, essa entrega submissa a emoções e sensações desencadeadas por um bombardeio inusitado e muitas vezes brilhantíssimo de imagens que chamam a atenção, embora, com sua natureza primária e passageira, embotem a sensibilidade e o intelecto do público.
(VARGAS LLOSA, Mario. A civilização do espetáculo: uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura. Trad: Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013, edição eletrônica)
Retoma uma expressão empregada anteriormente no texto o termo sublinhado em:
e que agora é possível fazer verdadeiros milagres no campo da simulação e da fantasia visuais.
essa entrega submissa a emoções e sensações.
Pode-se alegar que isso se deve em boa parte à prodigiosa evolução tecnológica dos últimos anos.
apesar das difíceis condições em que os cineastas sempre precisaram trabalhar.
um protagonismo que relega a segundo plano temas, diretores, roteiros e até atores.