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O enunciado em que consta um homônimo de termo grigado em É...

TEXTO BASE PARA AS QUESTÕES DE 01 A 10.


“Quando uma língua morre, com ela se perde uma parte da tradição e diversidade humana sobre a terra. Mais especificamente, quando morre uma língua indígena no Brasil, com ela desaparece uma porção substancial da herança cultural do povo que a fala, pois trata-se de línguas de transmissão oral, sem tradição escrita, nas quais o conhecimento é passado de geração a geração, principalmente através de narrativas contadas pelos mais velhos e experientes aos mais novos. O conteúdo passado de especialistas para não especialistas em uma sociedade garante que o conhecimento acumulado ao longo de gerações seja preservado para a posteridade. Perde-se também a arte verbal, o estilo poético dos narradores e as técnicas de construção de sentidos e efeitos desenvolvidos por representantes daquela cultura através de gerações. Em outras palavras, a perda de uma língua de tradição oral implica a perda da sua literatura.

Quando uma língua deixa de ser falada, desaparece a herança criativa linguística e cultural acumulada através dos anos pela coletividade de falantes. Especialmente entre as línguas indígenas brasileiras, trata-se de uma perda irreparável, pois muitas dessas línguas e culturas nunca foram registradas ou estudadas. Dentre os vários aspectos linguísticos, estão características gramaticais que podem ser únicas daquele idioma (a sua diversidade) ou já conhecidas pelos linguistas em outras línguas (os universais). A América do Sul é conhecida na literatura especializada como sendo uma região do mundo onde a diversidade de famílias linguísticas é especialmente alta. Além disso, há um grande número de línguas isoladas na região, ou seja, línguas que não parecem pertencer a algum agrupamento linguístico, talvez as últimas sobreviventes de alguma família que nunca foi registrada. A contribuição que as línguas indígenas do Brasil ainda têm a dar às ciências da linguística e antropologia é indiscutível. O interesse internacional sobre o tema é crescente.

Finalmente, a história da língua e do povo que a fala fica mais pobre quando uma língua morre, pois é possível reconstruir a história de uma língua ao se analisar sua estrutura e seu vocabulário, comparando-a com outras línguas relacionadas ou vizinhas. É possível reconstruir parte da história e pré-história de uma região ao se reconstruir o vocabulário das línguas que eram faladas ali no passado. A metodologia linguística (o método histórico-comparativo) permite a reconstrução de línguas faladas há até 7000 anos atrás.

Sabemos que o Brasil tem hoje 150 línguas, e que, no passado, antes da colonização portuguesa, elas somavam entre 600 e mil. A tendência é que as línguas faladas hoje em território nacional desapareçam completamente nos próximos 50 ou 100 anos, por se tratar de línguas representadas por um número baixo de falantes e que já estão deixando de ser faladas pelas crianças em muitas comunidades indígenas. [...]”


(STORTO, Luciana. Línguas Indígenas: tradição, universais e diversidade. Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, 2019, pp. 7-8)

O enunciado em que consta um homônimo de termo grigado em É possível reconstruir parte da história e pré-história de uma região ao se reconstruir o vocabulário das línguas que eram faladas ali no passado, encontra-se sublinhado em


A

Precisamos que você esteja presente.


B

Deixei seu vestido já passado e pendurado no cabide.


C

Antigamente, muitas línguas indígenas eram faladas no Brasil.


D

Queria poder mudar meu passado.