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Leia o texto abaixo para responder às questões de 01 a 10

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia

No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.

Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.

As moscas eram os vestígios

O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.

Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adotada”, disse.

Entomologia Forense

Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomologia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxiliando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.

“Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa dele e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, estudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.

Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

“As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e essas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o professor.

Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 dias, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

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(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Disponível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

Considerando sua organização, finalidade comunicativa e características predominantes, o texto é classificado como


A

predominantemente expositivo, com características do gênero reportagem, pois apresenta informações, contextualização, depoimentos e dados sobre um tema de interesse público.


B

predominantemente injuntivo, pertencente ao gênero manual técnico, pois orienta o leitor sobre procedimentos de perícia criminal.


C

predominantemente narrativo, pertencente ao gênero conto, pois apresenta personagens, conflito e desfecho.


D

predominantemente argumentativo, pertencente ao gênero editorial, pois defende explicitamente uma opinião institucional sobre a utilização de insetos na perícia.


E

predominantemente descritivo, pertencente ao gênero relatório científico, pois apresenta exclusivamente resultados objetivos de pesquisas sobre entomologia.