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Leia o texto a seguir para responder às questões de 07 a 09.
‘Eu cozinho e escrevo para o meu povo não desaparecer’
A história de Iza Souza com a cozinha começou por acaso. Na verdade, por necessidade. Há 19 anos, ela deixou seu povoado baiano e levou os filhos para morar em Trancoso, no sul da Bahia, em busca de uma vida melhor. Não encontrou vaga como professora, sua profissão de origem, naquele paraíso turístico. A pouca oferta a levou ao trabalho doméstico nas casas de ricos e famosos que se multiplicam na região durante o verão.
Mas, no Brasil, trabalho doméstico muitas vezes significa “fazer tudo relacionado ao cuidado das famílias”. Contratada inicialmente para ser caseira, Iza precisou lavar, passar e... cozinhar. Não sabia sequer fritar um ovo. Aprendeu, na prática, a transformar ingredientes e temperos em pratos. Hoje ela é Iza Souza: professora, antropóloga em formação, escritora e cozinheira que acaba de lançar o livro digital Comida é Cura: Saberes Ancestrais do Sul da Bahia.
Até ostentar essa coleção de títulos, Iza fazia uma cozinha autoral e intuitiva. Quem provava sua comida dizia tratar-se de um verdadeiro “manjar”. Só que esse tal manjar de Iza era diferente.
Ela — que gostou desse negócio de dormir professora e acordar cozinheira — buscou outras fontes de aprendizado além dos cursos de gastronomia que fez por conta própria. Em vez de se limitar às técnicas francesas e europeias, decidiu ir a campo, conversar com marisqueiros, cozinheiras de rua e mulheres dos quilombos. Passou também a resgatar a comida que aprendeu a comer em família — metade vinda de aldeia indígena e outra metade do quilombo.
“Passei a fazer a cozinha dos meus antepassados, que descobri chamar de afro-indígena. Percebi que ela era transmitida integralmente pela oralidade e não possuía registros escritos, como acontece com as cozinhas europeias. Entendi que precisava cozinhar, sim, mas também escrever para que meu povo não desaparecesse”, define.
(Fernanda Aranda, O Estado de S. Paulo, 21.06.2026. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a frase do texto foi reescrita em conformidade com a norma-padrão de concordância.
Iza Souza e os filhos, em busca de uma vida melhor em Trancoso, no sul da Bahia, deixou seu povoado baiano. (1º parágrafo)
Foi levada ao trabalho doméstico nas casas de ricos e famosos, em razão da pouca oferta de vaga como professora. (1º parágrafo)
Houveram outras fontes de aprendizado, além dos cursos de gastronomia que fez por conta própria. (4º parágrafo)
Transmitia-se as receitas integralmente pela oralidade, sem registros escritos, como acontece com as cozinhas europeias. (5º parágrafo)
Entendi que tanto a cozinha quanto a escrita eram necessários para que meu povo não desaparecesse. (5º parágrafo)