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Quando jogar videogame deixa de ser só diversão?
Por Jorge Marin
01 Pais de adolescentes gamers já se acostumaram com a resposta: “zerei, mas ainda não
02 platinei”. É a desculpa para recusar o convite para sair, deixar a lição para depois e empurrar a
03 hora de dormir. Cenas assim levantam uma pergunta simples: em que momento gostar muito
04 de videogame deixa de ser diversão e passa a exigir atenção?
05 Jogar, por si só, não é o problema. Para crianças e adolescentes, o videogame também é
06 lazer, é conversa com os amigos e, dependendo do título, até uma forma de aprendizagem.
07 As coisas mudam quando o jogo passa a ocupar o espaço de atividades importantes – e esses
08 jovens perdem a capacidade de simplesmente parar quando deviam.
09 “O ponto de atenção não é o jogo em si, mas o momento em que ele passa a atrapalhar
10 atividades do dia a dia, como as refeições em família, a rotina escolar, o sono e o convívio social”,
11 afirma a psicóloga e neuropsicóloga Juliana Gois, orientadora educacional de apoio à
12 aprendizagem do Colégio Rio Branco.
13 Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado em agosto de
14 2026, apontou risco de transtorno de jogo em 3,4% de quem jogou videogame no último mês.
15 Extrapolado para a população brasileira com 14 anos ou mais, isso equivale a cerca de 1,3 milhão
16 de pessoas – número que aponta sinal de alerta, não diagnóstico confirmado.
17 Essa diferença importa porque o entusiasmo por um jogo, mesmo quando envolve muitas
18 horas de dedicação, não é suficiente para dizer que existe um transtorno. O que interessa é se
19 esse padrão se repete ao longo do tempo e resiste a qualquer tentativa de colocar um limite.
20 Alguns comportamentos indicam que o jogo já passou do ponto. O primeiro é a dificuldade
21 de desligar: insistir em continuar mesmo com a comida esfriando ou o sono batendo, e reagir
22 mal quando pedem para parar. Isolado, não quer dizer nada – o problema é quando vira padrão.
23 Outro sinal é a mudança na própria rotina. Atividades antes prazerosas – esporte, encontro
24 com amigos, programas de família e até não fazer nada – vão cedendo espaço, aos poucos, sem
25 que ninguém perceba muito bem quando começou. Quanto mais dessas áreas o jogo ocupa,
26 maior o motivo para prestar atenção.
27 O desempenho escolar também pode ser um sinal – mas a associação entre jogar muito e
28 tirar notas piores não é automática. Tem adolescente que joga horas e segue dando conta de
29 tudo. A preocupação surge quando o jogo fura um compromisso atrás do outro, até deixar de
30 competir com a rotina e passar a comandá-la.
31 Juliana observa que, às vezes, o jogo tem uma função: alguns adolescentes recorrem a ele
32 para evitar interações sociais, ou como fuga de situações difíceis – bullying, dificuldade de
33 aprendizagem, entre outras. Nesses casos, só cortar o acesso ao videogame, sem entender o
34 motivo por trás, dificilmente resolve o problema.
35 Na verdade, a solução não está no relógio. Uma tarde inteira jogando pode não ser problema
36 para quem dorme bem, estuda e mantém os amigos por perto; já um período menor preocupa
37 se substitui o que antes fazia parte da rotina. O estudo da UFRGS confirma: os fatores mais
38 associados ao risco foram sintomas depressivos moderados a graves e ansiedade frequente –
39 não o tempo de jogo.
(Disponível em: cnnbrasil.com.br/comportamento/cultura/quando-jogar-videogame-deixa-de-ser-so-diversao/
– texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a classificação morfológica dos vocábulos destacados nos trechos retirados do texto, analise as assertivas a seguir:
I. Em “Essa diferença importa porque o entusiasmo [...]”, o vocábulo “Essa” é classificado como pronome demonstrativo.
II. Em “O desempenho escolar também pode ser um sinal”, o vocábulo “escolar” é classificado como substantivo.
III. Em “dificilmente resolve o problema”, o vocábulo “dificilmente” é classificado como adjetivo, pois atribui uma característica ao substantivo “problema”.
IV. Em “sem que ninguém perceba muito bem quando começou”, o vocábulo “ninguém” é classificado como pronome indefinido.
Quais estão corretas?
Apenas I e II.
Apenas I e IV.
Apenas II e III.
Apenas I, III e IV.