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Em relação à palavra “paralisação”, é correto afirmar que:

Texto para as questões 7 a 10.


Acordo sem combinado


Ah! O Acordo ortográfico. Escrevi assim com maiúsculas porque penso nele como uma entidade mesmo, o nome próprio de um combinado que ninguém combinou direito. Um acordo nascido desfeito que atingiu muito pouco as pessoas reais, de carne e osso, que efetivamente usam as línguas portuguesas. Ou estarei errada? Já acho que estou.

Em uma sala de aula do Sudeste do Brasil, um

aluno do ensino superior, anos atrás, dirigiu-se a mim, a professora de português, em um tom quase desesperado. Com os olhos arregalados (adoro esta palavra!), fez a seguinte pergunta, na expectativa ingênua de que eu pudesse resolver sua questão de forma definitiva.

- Professora, e agora? O que eu faço com o hífen? Este Novo Acordo me confundiu. Como vou saber as palavras que têm e as que não têm hífen?

Era quase uma consulta médica. Ou uma aula de morfologia lá do século passado. Ou uma dúvida que ameaçar para o futuro da humanidade. Mas logo me ocorreu perguntar:

- Você sabia usar o hífen antes do Acordo?

Ele respondeu com firmeza:

- Não. Nunca soube.

- Ah, então relaxe. Não fará a menor diferença.

E nos dispersamos, quase sem despedida formal. Os dois bem tranquilos. Eu em direção à rampa de saída; ele em direção ao pátio, atrás de um dia ensolarado lá fora.

A questão era bem essa. Uma grande quantidade de pessoas jamais decorou as regras de hifenação. Exceto talvez aquela que usamos para separar palavras em português (e que os softwares em inglês, atrapalham bem). Na época da máquina de datilografar, era necessário saber isso, bem calculadinho, para separar a sílaba lá no canto direito. O Word acabou com essa graça, redistribuindo os espaços automaticamente. E o hífen perdeu força nessa brincadeira. No entanto, ele continua lá, ligando os prefixos, ajudando nos pronomes reflexivos e uma ou outra função de que nem me lembro.

E agora? Escrever infraestrutura ficou feio que só. Vi gente revoltada com essa forma nova, meio esquisita. Palavra escrita é uma coisa altamente visual, é óbvio. A gente se acostuma a ver a palavra. E muita gente sentiu falta do hífen, que parecia embelezar um pouco essa palavrinha bem

usada da nossa língua.

Os prefixos muito produtivos, como pós, pré, semi, mini... todos causaram incômodo às pessoas. Outras palavras ficaram com jeito de exceção. Era o caso de uma nova decoreba.

Sem explicação possível.

Mas quem decidiu isso? Um conselho de donos da língua? Mais ou menos. Certamente não foram as pessoas que usam a língua normalmente, ao rés do chão. Nunca somos nós que decidimos essas regras que terminam por nos afetar.

Ouvi gente dizer: se fosse para mudar mesmo, mudasse em algo que faz diferença. Por exemplo? Os quatro porquês do português escrito, que nem bem existem no português falado. Na oralidade, estamos sempre dizendo um porquê com a mesma forma, inflexão etc. Mais na escrita, não. E como é palavrinha comum, de uso corretíssimo, chega mesmo a atrapalhar. Junta, separada, com acento, sem acento, que hora é cada qual?

- Para que isso? - dizia minha amiga em tom de revolta.

Imagine um mundo em que existisse apenas insuficientemente um porquê? Ai, que sonho! Imagine all the people writing why in peace! Uh uh (Perdão, John, não resisti). Inglês é “why” para perguntar e “because” para responder. Mas isso é problema deles. E daí? Nós temos mais alguns porquês com que lidar. E como todos eles estão aí, o jeito é aprender, ao menos na hora de escrever bonito. Na hora de falar, é falar como se tudo fosse uma coisa só. E é.

Por que mudar um modo de escrever? Por que unificar? O acordo já virou o dia a dia? Vejam que aqui virou sim. Dia a dia tinha hífen antes. Já aderi. Deveria? Que mais anda incomodando os chateados com o combinado? Aquelas letras extras que não falamos nem escrevemos no nosso português BR? Tipo: facto, objecto, contacto e outras mais? Aí quem se incomodou foram outros países onde habitam pessoas que escrevem CEP no meio de palavras, que são mesmo pronunciadas assim.

O Acordo que ninguém acordou direito já está um tanto absorvido. Quem faz isso são as novas gerações. Minha avó de 80 anos escrevia o português dos anos 1930 – 1940. Nunca deixou de acentuar êle. E vejam que bonito: as coisas mudam. A língua vai junto, dançando entre as forças que conservam e as que modificam. E viva o movimento.


Ana Elisa Ribeiro


RIBEIRO, Ana Elisa. Nossa língua & outras encrencas: crônicas. São Paulo: Parábola Editorial. 2023.

Em relação à palavra “paralisação”, é correto afirmar que:


A

Assim como em “pozólha”, o cartunista optou por registrá-la na linguagem coloquial, uma vez que o registro dessa palavra, de acordo com norma ortográfica da língua escrita portuguesa, é com “z” (paralização).


B

Pode ser grafada com “s” ou “z”, haja vista a ortografia vigente da língua portuguesa não fazer essa distinção.


C

O registro na charge obedece à ortografia vigente da língua portuguesa.


D

De acordo com a ortografia vigente na língua portuguesa, grafa-se com “z”, já que a pronúncia é fonema /z/, não /s/.


E

Da forma como foi grafada, com “s”, está relacionada a paralisar, enquanto, escrita com “z”, teria outro sentido.