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Em “Não se trata” (l.9), a partícula “se” poderia ser...

1 A dúvida nos mete medo. Interrogar, determinar com

exatidão, situar-se; todos esses atos de liberdade, de decisão e

de responsabilidade são terrivelmente angustiantes; trata-se de

4 angústia análoga àquela de uma criança que rompe o cordão

que a liga a seus pais, a seus mestres, aos grupos dos quais faz

parte e vai perdendo assim a doce segurança da dependência,

7 da obediência, do conformismo. Essa angústia é inevitável: ela

leva o selo da existência; nela se exprime a vertigem perante a

liberdade. Não se trata, nessas condições, de querer liquidar a

10 angústia, mas de saber se o homem deve procurar evitá-la, fugir

dela por qualquer saída, ou se, em vez disso, deve aceitá-la e

aventurar-se a viver longe da terra firme.

13 Ora, o que vale para a existência em geral vale

também e muito particularmente para aqueles que estão ligados

à educação, que é, na realidade, grande geradora de angústias.

16 De um lado, toda relação pedagógica é fonte de tensão, de

desequilíbrio para aqueles que a vivem, na medida em que ela

os implica naquilo que são, os interroga, coloca em questão

19 suas preferências, seus valores, seus atos, sua maneira de ser,

seu projeto de existência. Por outro lado, essa tensão e essa

interpelação vão além dos envolvidos como atores particulares

22 e individuais, pois o que importa pedagogicamente é o projeto

educativo-histórico de uma sociedade no interior da qual a

pedagogia desempenha papel importante. A educação faz com

25 que toda a nossa sociedade se interrogue a respeito de si

mesma, se debata e se busque. Educar é reproduzir ou

transformar: repetir servilmente aquilo que foi, optar pela

28 segurança do conformismo, pela fidelidade à tradição ou, ao

contrário, fazer frente à ordem estabelecida e correr o risco da

aventura; é querer que o passado configure todo o futuro ou

31 partir desse passado para construir outra coisa.



Moacir Gadotti. Educação e poder: introdução à pedagogia do

conflito. São Paulo: Cortez, 1998, p. 18 (com adaptações).

Acerca do texto acima, julgue os itens de 1 a 8.

Em “Não se trata” (l.9), a partícula “se” poderia ser corretamente empregada após o verbo, escrevendo-se Não trata-se.

C
Certo

E
Errado