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1 O que tanta gente foi fazer do lado de fora do tribunal
onde foi julgado um dos mais famosos casais acusados de
assassinato no país? Torcer pela justiça, sim: as evidências
4 permitiam uma forte convicção sobre os culpados, muito antes
do encerramento das investigações. Contudo, para torcer pela
justiça, não era necessário acampar na porta do tribunal, de
7 onde ninguém podia pressionar os jurados. Bastava fazer
abaixo-assinados via Internet pela condenação do pai e da
madrasta da vítima. O que foram fazer lá, ao vivo? Penso que
10 as pessoas não torceram apenas pela condenação dos principais
suspeitos. Torceram também para que a versão que inculpou
o pai e a madrasta fosse verdadeira.
13 O relativo alívio que se sente ao saber que um
assassinato se explica a partir do círculo de relações pessoais
da vítima talvez tenha duas explicações. Primeiro, a fantasia de
16 que em nossas famílias isso nunca há de acontecer. Em geral
temos mais controle sobre nossas relações íntimas que sobre o
acaso dos maus encontros que podem nos vitimar em uma
19 cidade grande. Segundo, porque o crime familiar permite o
lenitivo da construção de uma narrativa. Se toda morte
violenta, ou súbita, nos deixa frente a frente com o real
22 traumático, busca-se a possibilidade de inscrever o acontecido
em uma narrativa, ainda que terrível, capaz de produzir sentido
para o que não tem tamanho nem nunca terá, o que não tem
25 conserto nem nunca terá, o que não faz sentido.
Maria Rita Khel. A morte do sentido. Internet: <www.mariaritakehl.psc.br> (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue os itens de 1 a 5.
prejuízo das relações sintático-semânticas do texto, os dois últimos períodos do primeiro parágrafo do texto poderiam ser corretamente reescritos da seguinte forma: Penso que as pessoas não torceram apenas pela condenação dos principais suspeitos, tendo torcido também — e principalmente — para que a versão que inculpou o pai e a madrasta fosse verdadeira.