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Texto para os itens de 1 a 10
1 Quando o homem moderno, particularmente o
habitante da cidade, deixa a luz natural do dia ou a luz artificial
da noite e entra no cinema, opera-se em sua consciência uma
4 mudança psicológica crucial. Do ponto de vista subjetivo, na
maioria dos casos, ele vai ao cinema em busca de distração,
entretenimento, talvez até instrução, por um bom par de horas.
7 Pouco lhe importam as condições técnicas e socioeconômicas
das indústrias que, em primeira instância, lhe possibilitam
assistir aos filmes; na verdade, esse tipo de preocupação nem
10 lhe passa pela cabeça.
Um dos principais aspectos desse ato corriqueiro, que
se chama situação cinema, é o isolamento mais completo
13 possível do mundo exterior e de suas fontes de perturbação
visual e auditiva. O cinema ideal seria aquele onde não
houvesse absolutamente nenhum ponto de luz (tais como
16 letreiros luminosos de emergência e saída etc.) fora da própria
tela e onde, fora a trilha sonora do filme, não pudessem
penetrar nem mesmo os mínimos ruídos. A eliminação radical
19 de todo e qualquer distúrbio visual e auditivo não relacionado
com o filme justifica-se pelo fato de que apenas na completa
escuridão podem-se obter os melhores resultados na exibição
22 do filme. A perfeita fruição do ato de ir ao cinema é
prejudicada por qualquer distúrbio visual ou auditivo, que
lembra ao espectador, contra a sua vontade, que ele estava a
25 ponto de suscitar uma experiência especial mediante a exclusão
da realidade trivial da vida corrente. Esses distúrbios o
remetem à existência de um mundo exterior, totalmente
28 incompatível com a realidade psicológica de sua experiência
cinematográfica. Daí é inevitável a conclusão de que a fuga
voluntária da realidade cotidiana é uma característica essencial
31 da situação cinema.
Hugo Mauerhofer. A psicologia da experiência
cinematográfica. In: Ismail Xavier. A experiência do
cinema. RJ: Graal, 1983, p. 375-6 (com adaptações).
Com base nos aspectos linguísticos do texto, julgue os itens que se seguem.
A forma verbal “importam” (l.7) foi empregada no plural por concordar com “o homem moderno” (l.1), expressão de sentido coletivo a que se refere o sujeito da oração em que essa forma verbal ocorre.