

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
1-O que o poeta quer dizer
--no discurso não cabe
--e se o diz é pra saber
4-o que ainda não sabe.
--Uma fruta uma flor
--um odor que relume...
7-Como dizer o sabor,
--seu clarão seu perfume?
----Como enfim traduzir
10-na lógica do ouvido
----o que na coisa é coisa
----e que não tem sentido?
13-A linguagem dispõe
----de conceitos, de nomes
----mas o gosto da fruta
16-só o sabes se a comes
----só o sabes no corpo
----o sabor que assimilas
19-e que na boca é festa
----de saliva e papilas
----invadindo-te inteiro
22-tal do mar o marulho
----e que a fala submerge
----e reduz a um barulho,
25-um tumulto de vozes
----de gozos, de espasmos,
----vertiginoso e pleno
28-como são os orgasmos
----No entanto, o poeta
----desafia o impossível
31-e tenta no poema
----dizer o indizível:
----subverte a sintaxe
34-implode a fala, ousa
----incutir na linguagem
----densidade de coisa
37-sem permitir, porém,
----que perca a transparência
----já que a coisa é fechada
40-à humana consciência.
----O que o poeta faz
----mais do que mencioná-la
43-é torná-la aparência
----pura — e iluminá-la.
----Toda coisa tem peso:
46-uma noite em seu centro.
----O poema é uma coisa
----que não tem nada dentro,
49-a não ser o ressoar
----de uma imprecisa voz
----que não quer se apagar
52-— essa voz somos nós.
Ferreira Gullar. Não coisa. In: Muitas vozes.
Rio de Janeiro: José Olympio, 2013.
Acerca do poema acima e de seus aspectos linguísticos, julgue os itens que se seguem.
No último verso do poema, observa-se um fenômeno denominado silepse – que ocorre em frases como O povo brasileiro somo patriotas –, uma vez que a concordância verbal se faz com uma ideia e não com o sujeito da oração, que, no caso, é o termo “essa voz”.
Certo
Errado