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Texto para as questões de 8 a 10
1 Um mito recorrente sobre a Independência do Brasil
diz respeito ao caráter pacífico da ruptura com Portugal. De
acordo com essa visão, tudo teria se resumido a uma
4 negociação entre o rei D. João VI e seu filho D. Pedro, com
algumas escaramuças isoladas e praticamente sem vítimas. É
um erro. A guerra da independência foi longa e desgastante.
7 Durou 21 meses, entre fevereiro de 1822 e novembro do ano
seguinte. Nesse período, milhares de pessoas perderam a vida
em roças, morros, mares e rios em que se travou o conflito.
10 Devido à demora nas comunicações com a Europa, a
guerra, nos primeiros meses, envolveu um jogo de escondeesconde,
repleto de boatos, em que nenhum dos lados sabia
13 exatamente o que o adversário planejava nem quais eram as
forças de que dispunha. A única certeza era que tanto Portugal
quanto o Brasil encontravam-se em estado de penúria, com os
16 cofres públicos vazios e sem dinheiro para contratar e pagar
oficiais e soldados, comprar armas e munições e sustentar um
conflito que exigia esforços em dois hemisférios. Nesse
19 confronto de esfarrapados, porém, Portugal tinha de início uma
vantagem: era um país centenário, organizado e reconhecido
pelos seus vizinhos europeus, que lhe poderiam hipotecar
22 apoio político ou ceder empréstimos. Essa organização se
estendia sobre o Brasil, cujas Forças Armadas — mesmo
precárias — ainda eram portuguesas até as vésperas da
25 Independência. Toda a linha de comando, composta em sua
maioria por oficiais nascidos em Portugal, respondia às ordens
de Lisboa. O Brasil, ao contrário, começava tudo do zero. Até
28 1822, não tinha Exército nem Marinha de Guerra. O próprio
governo, que acabara de se constituir com José Bonifácio à
frente do ministério, funcionava de forma desorganizada e
31 improvisada. As ordens do Rio de Janeiro não eram acatadas
pela maioria das províncias, ainda fiéis a Portugal. Sem
reconhecimento internacional, as perspectivas de apoio
34 diplomático eram nulas. Empréstimos, só a juros escorchantes.
Laurentino Gomes. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010, p. 163-6 (com adaptações).