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Liberdades sociais
A seção "Tendências/Debates" da Folha de 28/11 ofereceu-nos uma excelente oportunidades de re-
flexão ao apresentar, partilhando a mesma página, Rubem Alves, educador, e Rui Cesar Melo, comandante-
geral da PM de São Paulo. Embora não dialoguem, ali, formalmente, seus textos o fazem. Rubem Alves,
ressaltando dilemas, propõe descriminar drogas atualmente ilegais. [...]. Rui Cesar Melo trata dos riscos -
5 conhecidos e desconhecidos - a que se vê exposta a sociedade pela indiscriminação vigente na permissão da
compra e porte de armas. Dialogam ao demonstrar que, milênios depois dos primeiros códigos da humani-
dade, ainda nos debatemos com o estabelecimento de limites. Descriminar as drogas, para evitar a corrupção,
seria levar cada um a assumir total responsabilidade por si, liberando todos até para exercer a liberdade em
seu extremo, qual seja, a de voluntariamente fazer mal a si mesmo. Promover legalmente o desarmamento
10 - via controle severo - seria forma de reprimir o risco de violência, impedindo a possibilidade, pela privação
de instrumento, de alguém fazer mal a outros de forma letal.
O que se vê, nesse diálogo, é o entrelaçamento de temáticas da educação e da segurança por meio
das liberdades fundamentais, das responsabilidades e dos direitos, individuais e sociais. [...]
A ousadia do educador é bem complementada pela cautela do comandante: cada um cumpre seu
15 papel. Este, o de proteger; aquele, o de impulsionar à ação. Ambos, o de zelar pela liberdade de cada um e
de todos, base da democracia. Contribuem, ambos, cada qual a seu modo e estilo, para que tenhamos uma
sociedade que será cada vez melhor, quanto mais saibamos construir responsável e efetivamente esse
futuro almejado que se quer logo presente.
Roseli Fischmann, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. (Folha de S. Paulo, 30/11/99.)
No fragmento "Embora não dialoguem..." (l. 3) o termo grifado pode ser substituído por
Porque
Mesmo que
Entretanto
Contudo
Tendo em vista