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No segmento “entendendo-se cada uma das partes, entende-se...

Texto para os itens de 71 a 89.

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1____O pai da medicina ocidental, o médico e filósofo grego Hipócrates, gostava de repetir enquanto cuidava de seus pacientes

que “o homem é uma parte integral do cosmo e só a natureza pode tratar seus males”. Com isso, ele queria mostrar que as causas

da doença eram naturais – e não punições divinas como se acreditava até então – e lembrar que o equilíbrio e a saúde do corpo

4 estão diretamente ligados ao ambiente em que vivemos. Essa frase voltou a soar atual nos últimos anos, ao mesmo tempo em

que ocorre a popularização dos métodos alternativos à mesma medicina ocidental que Hipócrates fundou.

A partir do século 17, quando as ideias do filósofo René Descartes começaram a influenciar a ciência, os tratamentos

7 médicos passaram a ver o corpo humano como uma máquina em que cada parte tinha uma função específica e independente.

Segundo Descartes, entendendo-se cada uma das partes, entende-se o todo. Simples assim. A medicina moderna, a despeito do

conselho de Hipócrates, ergueu-se sobre esse pressuposto e ainda está bastante apoiada nele.

10___Hoje, a teoria de Descartes já não faz muito sentido. A ciência mais que provou a intrínseca relação entre mente e corpo e

suas consequências para a saúde humana. Também está claro que isolar uma parte do corpo e desconsiderar o resto é receita

segura para efeitos colaterais inesperados.

13__Isso não significa dizer que a medicina ocidental ortodoxa tenha desabado e que todos os médicos e hospitais estejam para

sempre soterrados nos escombros. Claro que não. A medicina é um edifício sólido, cheio de méritos. Mas, em alguns países do

globo, como Canadá e França, 70% da população recorre a tratamentos não convencionais de cura. Esses métodos são bem

16 diferentes uns dos outros – inclusive nos resultados. Mas há algo mais ou menos em comum entre quase todos: eles enxergam o

corpo como Hipócrates. Não somos máquinas, somos organismo vivo, cujas partes são interdependentes.

O uso crescente das técnicas alternativas – seja como opção à medicina ortodoxa, seja como complemento a ela – não

19 determina por si só que elas sejam eficientes. Longe disso. Na verdade, estudos confiáveis que atestam a eficiência de práticas

alternativas são raríssimos. A homeopatia, certamente uma das mais conhecidas entre essas técnicas, existe há mais de 200 anos,

é procurada por milhões de pessoas no mundo todo e reconhecida oficialmente no Brasil como uma especialidade médica. Era

22 de se esperar que, dada sua enorme popularidade, ela tivesse sido bem estudada pela ciência. Entretanto, segundo um estudo

feito pela prestigiada Escola Médica Península, da Inglaterra, foram feitos até hoje, no mundo todo, apenas seis exames rigorosos

que comparam a eficiência de remédios homeopáticos com a dos convencionais. Só há oito estudos que comparam a ação da

25 Arnica montana (um dos princípios ativos homeopáticos mais largamente utilizados) com placebo (“falsos” medicamentos, sem

nenhum princípio ativo). É muito pouco e os resultados estão longe de ser conclusivos.

Isso quer dizer que a ciência dá as costas para a medicina alternativa? Talvez. Mas as “duas medicinas”

28 têm-se aproximado nos últimos anos e hoje admite-se a possibilidade de incorporar características uma da outra. “As duas têm

aspectos positivos e negativos”, disse Xiang Ping, reitor da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa, em Nanquim, em um

discurso de formatura. “A ocidental baseia-se em análises e radiografias, mas não aborda o todo orgânico. Já a medicina

31 tradicional chinesa é eficaz na regulação de todo o corpo. Penso que a combinação das duas medicinas seria perfeita e muito

benéfica para as pessoas”.

Bárbara Soalheiro e Alceu Chiesorin Nunes. Medicina alternativa.

Internet: <www.super.abril.com.br> (com adaptações).

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Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 71 a 87.

No segmento “entendendo-se cada uma das partes, entende-se o todo” (linha 8), a partícula “se” indica, nas duas ocorrências, que as estruturas sintáticas estão na voz passiva.


C

Certo


E

Errado