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Assinale a alternativa em que a função do termo grifado...

INSTRUÇÃO - As questões de 1 a 18 relacionam-se com o texto abaixo. Leia atentamente todo o texto antes de responder a elas.


VIOLÊNCIA, TV E CRIANÇA: O COMEÇO DE UMA NOVA ERA. SERÁ?


(Artur da Távola)



Muita gente culpa os meios de comunicação por disseminar e incentivar,

através de programas e notícias, a violência no mundo. A tevê então é a principal

acusada deste malefício à sociedade.

Acontece que os meios de comunicação são considerados, por estas mesmas

5 pessoas, como causa de alguma coisa e não reflexo e causa ao mesmo tempo, num

processo interativo, como pessoalmente creio ocorrer. Quer dizer: a tevê não é a

causa das coisas, das transformações, dos fatos. Não. Ela é veículo. É meio pelo

qual as coisas, as transformações e os fatos chegam aos indivíduos.

Pois bem, é neste ponto que três temas passam a ser profundamente

10 entrelaçados e discutidos, adquirindo a maior importância em qualquer sociedade:

criança – violência e televisão.

As crianças, estas estão aí. No Brasil, sessenta por cento da população têm

menos de vinte anos de idade, o que desde logo dá a devida magnitude do

problema.

15 A violência também está aí mesmo. Com uma diferença: ao longo da história

do mundo ela sempre esteve presente só que lá longe. Agora, graças aos meios de

comunicação são as pessoas, em suas casas, as que estão presentes a ela. As

gerações anteriores, para saber das guerras, ou as viam "idealizadas",

glamourizadas e heroicizadas no cinema, ou liam a respeito nos livros de história.

20 Hoje, ninguém idealiza nada. Vê. Vê, via satélite. Não ouve falar dos horrores.

Participa deles. Por outro lado, a violência aumenta em proporções assustadoras,

tanto no resto do mundo como aqui bem perto, em cada esquina.

Pergunto eu: será só o incentivo à violência o resultado único desse processo

de informação em escala mundial?

25 É preciso lembrar, por exemplo, que muito da campanha de opinião pública

contra a guerra do Vietnã nos Estados Unidos deveu-se à cobertura instantânea da

televisão. Nada é estático. O que divulga provoca também resistências. Hoje as

pessoas deixaram de ter a violência como algo sempre distante, algo que "só

acontece com os outros". Todos estão ameaçados nesta bolota azul em que

30 vivemos. Logo, repudiar a violência é tarefa comum.

Não é verdade, igualmente, que os meios de comunicação só disseminem a

violência. Quem acompanha de boa-fé, assiste ao alerta diário destes meios contra

todas as formas de violência e as ameaças de destruição tanto da terra quanto da

espécie, no caso de persistirem as ameaças nucleares e as afrontas ecológicas.

35 Ninguém agüenta tensões prolongadas. A humanidade está podendo se ver a

cada dia. Está podendo julgar e avaliar a que leva os seus desvarios. Está se

conhecendo em seus máximos e em seus mínimos, em suas grandezas e em suas

patologias, como nunca antes da televisão fora possível. Está secretando os

anticorpos à violência e as atitudes necessárias à sua sobrevivência. Está

40 consciente de que a ameaça é conjuntural. De que ou o homem se entende e

redescobre o Direito estabelecendo seu primado, ou se aniquila: no macro do

mundo ou no micro de cada comunidade.

E as crianças? Elas estão assistindo a tudo isso. Elas, por definição, são mais

saudáveis, mais instintivas, mais purificadas. Ninguém vai lhes contar histórias

45 sobre as guerras: elas as acompanham. Sobre os atentados brutais: elas os vêem.

E no segredo de sua psique, ainda plena dos instintos vitais, seguramente elaboram

os mecanismos de defesa necessários à preservação da vida.

É analisando estes assuntos que me recordo de uma tese, estranha, mas

séria e digna de reflexão, de um amigo meu, médico, homem de idade, sabedoria e

50 ciência. Diz ele que nunca como hoje a humanidade pôde conviver tão perto da

loucura. Ela entra diariamente através dos noticiários, dos fatos e das imagens,

enfim, da comunicação moderna. E acrescenta: só quando o ser humano aceitar

conviver com seu lado louco ele começa a se aproximar da cura. Negar a loucura é

tão louco quanto ela. Aceitá-la como dado desse eterno conflito em superação no

55 caminho absoluto que é o homem significa poder entrar em relação com a doença e

só assim tratá-la, superá-la, dimensioná-la, aproveitar o fluxo de sua energia

desordenada para a tarefa de reconstrução humana.

Desnecessário dizer que ele é psiquiatra. Como necessário é concluir o artigo

dizendo: concordando ou não, sua tese merece reflexão. E perguntando com pavor:

60 será mesmo necessário pagar um preço existencial tão alto para se ter esperança?

Que ela venha com as crianças deste país que sei (por intuição) serão os pontais de

uma civilização espiritualizada que há de emergir (já está começando) das cinzas da

violência, se possível antes da generalização desta como única forma de resolver os

conflitos e as diferenças entre os homens. Eros e Tanatos, sempre. Mas o amor é

65 maior que o ódio.


(In: Dias Carneiro, Agostinho & Farias, A. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, 1979. p. 11-2.)

Assinale a alternativa em que a função do termo grifado está corretamente indicada.


A

"[...] será só o incentivo à violência o resultado [...]." (linha 23) – objeto indireto


B

"Sobre os atentados brutais: elas os vêem." (linha 45) – adjunto adnominal


C

"Hoje, ninguém idealiza nada." (linha 20) – sujeito indeterminado


D

"Está secretando os anticorpos à violência e as atitudes necessárias à sua sobrevivência." (linhas 38-39) – objeto direto