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Leia o texto abaixo para responder às questões de 01 a 07.
1 O JEITINHO BRASILEIRO expressa duas características. A positiva é a capacidade de
2 adaptação em diferentes situações. Isso dá ao país uma flexibilidade política e uma capacidade
3 de inovação invejáveis. O lado negativo é uma ambigüidade em relação às regras. Isso afeta o
4 sistema político e as instituições, que por vezes operam com um certo desprezo pelas regras
5 formais do jogo político.
6 Esta flexibilidade também está ligada ao “familismo amoral”, um padrão moral que
7 privilegia as relações familiares e permite um desrespeito às regras daquilo que é público. Essa
8 é a dimensão do comportamento brasileiro que mais propicia a corrupção. Percorremos um
9 importante caminho até considerar essas práticas negativas para o sistema político, mas ainda
10 não conseguimos superá-las.
11 Corrupção depende da percepção, já que quem é corrupto não o admite publicamente.
12 Não existe método para classificá-la internacionalmente. Ela varia de acordo com a liberdade de
13 imprensa e das instituições democráticas de cada país. Os índices, principalmente o da
14 Transparência Internacional, não consideram essas dimensões. Então, vemos países com
15 ótimas performances comparativas, mas sem mecanismos democráticos, como a Malásia.
16 Hoje, o Brasil está distante de aceitar uma postura de “roubo, mas faço”. Mas esse sistema
17 político se deslegitima quando a opinião pública percebe que ele não consegue tratar da
18 corrupção no seu interior.
19 O grande problema não é perceber a corrupção, mas puni-la. O combate está muito
20 concentrado no Executivo, especialmente na Polícia Federal. Já a mídia não tem um papel
21 muito claro. Ela prefere novos casos a seguir até o final os já existentes. Poderia ser mais
22 transparente, acompanhar exaustivamente toda a tramitação e exercer uma pressão maior
23 sobre o Judiciário para que as punições ocorram.
Resposta de Leonardo Avritzer ao questionamento “O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção?”, publicada na Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 42, de março de 2009.
O período em que a ausência de um complemento nominal compromete o entendimento do texto é
“Poderia ser mais transparente, acompanhar exaustivamente toda a tramitação e exercer uma pressão maior sobre o Judiciário para que as punições ocorram.” (linhas 21 a 23).