ESSA QUE EU HEI DE AMAR…

Essa que eu hei de amar perdidamente um dia

será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,

que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,

trazer luz e calor a essa alma escura e fria.

E quando ela passar, tudo o que eu não sentia

da vida há de acordar no coração, que vela…

E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela

como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,

e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro

do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: "Eu passei a teu lado,

mas ias tão perdido em teu sonho dourado,

meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!"

(ALMEIDA, Guilherme de. Meus versos mais queridos. Rio de Janeiro: Ediouro, 1988.)

No texto:


A

O eu lírico está perdido ao sol, por isso confunde o verda-deiro amor.


B

A mulher amada é comparada ao sol e os termos ‘loura’, ‘clara’ ilustram isso.


C

O eu lírico está em delírio e isso explica os pensamentos desconectados da realidade.


D

A mulher amada na verdade é o sol, que o eu lírico deseja por estar exposto a um ambiente frio.


E

O eu lírico relata fatos ocorridos num passado remoto e por isso mistura passado e presente.