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... a sua capacidade de encarnar valores e princípios...(2o...

Atenção: As questões de números 1 a 10 baseiam-se no texto apresentado abaixo.



O século XX escolheu a democracia como forma pre- dominante de governo e, para legitimá-la, as eleições pelo voto da maioria. O momento eleitoral passou a mobilizar as energias da política e trazer ao debate as questões públicas relevantes. No entanto, demagogias de campanha e mandatos mal cumpridos foram aos poucos empanando a festa de cidadania do sufrágio universal.
Pierre Rosanvallon propõe como um dos critérios para avaliar o grau de legitimidade de uma instituição a sua capa-cidade de encarnar valores e princípios que sejam percebidos pela sociedade como tais. Assim como a confiança entre pes-soas, legitimidade é uma entidade invisível. Mas ela contribui para a formação da própria essência da democracia, levando à adesão dos cidadãos. Afinal, a democracia repousa sobre a ficção de transformar a maioria em unanimidade, gerando uma legitimidade sempre imperfeita. O consentimento de todos seria a única garantia indiscutível do respeito a cada um.
Mas a unanimidade dos votos é irrealizável. Por isso a regra majoritária foi introduzida como uma prática necessária. Na democracia os conflitos são inevitáveis, porque governar é cada vez mais administrar os desejos das várias minorias em busca de consensos que formem maiorias sempre provisórias. Há, assim, uma contradição inevitável entre a legitimidade dos conflitos e a necessidade de buscar consensos. Fazer política na democracia implica escolher um campo, tomar partido.
Quanto mais marcadas por divisões sociais e por incertezas, mais as sociedades produzem conflitos e neces- sitam de lideranças que busquem consensos. Como o papel do Poder Executivo é agir com prontidão, não lhe é possível gerir a democracia sem praticar arbitragens e fazer escolhas. Mas também não há democracia sem o Poder Judiciário, encarrega-do de nos lembrar e impor um sistema legal que deve expressar interesse geral momentâneo; igualmente ela não existe sem as burocracias públicas encarregadas de fazer com que as rotinas administrativas essenciais à vida em comum sejam rea- lizadas com certa eficiência e autonomia.


Gilberto Dupas. O Estado de S. Paulo, A2, 17 de janeiro de 2009, com adaptações)

... a sua capacidade de encarnar valores e princípios...(2o parágrafo)


A frase cujo verbo exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima é:


A

Mas ela contribui para a formação da própria essência da democracia ...


B

Afinal, a democracia repousa sobre a ficção ...


C

O consentimento de todos seria a única garantia indiscutível ...


D

... mais as sociedades produzem conflitos ...


E

... e necessitam de lideranças ...