TEXTO 1: Leia
com atenção o texto
a seguir, para resolver as
questões de 01 a 06.
O ato de ler e sua
importância: vivências e exigências
Anderson
Fávero
Saber
ler é, além de uma exigência da sociedade
moderna, uma dinâmica
experiência existencial. Contudo, há uma
importante diferença entre saber
ler e a prática
efetiva da leitura: a efetiva leitura vai
além do texto verbal e começa -
na palavra-mundo
- antes mesmo do contato com ele.
Referindo-nos tão somente ao texto verbal,
o ato de ler está
invariavelmente
relacionado ao processo de escrita, e o
leitor, na maioria das vezes, é
visto como
um mero agente “decodificador” de letras,
num gesto simples e puramente
mecânico
de decifração de sinais e códigos. Porém,
esse posicionamento submisso
frente
à decifração de signos linguísticos e à
desenfreada recepção de
informações não
confere, a quem quer que seja, a qualidade
e a competência de leitor, tal
como hoje
as entendemos ou o entendemos. Ao
contrário, uma patente passividade
leitora vem
fazendo com que muitos assumam, cada vez
mais, uma postura suscetível e
vulnerável
a quaisquer práticas ou intenções de
dominação e/ou manipulação.
Para
que ocorra, então,
uma prática
concreta de libertação, a compreensão
das mais diversas linguagens, expressões e
formas simbólicas,
configuradas quer por
palavras, quer por imagens, exige de
qualquer leitor, hoje, um caráter
reflexivo e um papel
mais do que ativo. Essa constante
“atuação” se faz necessária para que
haja a produção
de múltiplas possibilidades de leitura e
para que essas se multipliquem e
se tornem novas
a cada experiência de “confronto” e de
interação textual, levando em
consideração a
surpreendente diversidade de fenômenos que
podem, enfim, ser chamados de
texto.
Assim, apreciações interpretativas,
críticas e sensíveis por parte dos
leitores tornam-se,
cada vez mais, componentes ativos na (e
para a) consolidação de qualquer
leitura.
Sendo assim,
abdicar
de posições e posturas “inertes” é uma das
características
que permitem ao leitor proficiente ser
levado em conta como parte
integrante não só
do ato da leitura, mas também dos textos.
Uma leitura eficiente pressupõe
sucessivos
instantes de construção e de desconstrução
de significados, ou seja,
momentos
de preenchimento de espaços vazios ou em
branco dos textos, abertos a
várias
interpretações. Além disso, essa eficaz
leitura deve ser entendida como
um momento
de apropriação e incorporação de saberes,
bem como de participação
afetiva e efetiva
numa realidade (quase sempre)
alheia.
A predisposição e a empatia
do leitor
para entregar-se ao
universo
apresentado
no texto, para mergulhar e se aprofundar
nas entrelinhas e nos
subentendidos são,
também, fundamentais para uma leitura
polivalente, multidirecional e
aberta à
flexibilidade. Todo texto é plural, assim
como os sentidos e os
significados desse texto.
Basta que o leitor esteja atento a todas
as peculiaridades textuais e que
associe ou
atribua a elas significância por meio do
que está explícito e,
principalmente, implícito.
Nenhuma leitura deve ser compreendida como
um processo e/ou um ato
estático;
deve, sim, ser enxergada através de
diversos ângulos, como uma atividade
instigante e
doadora de significação. [...]
A formação de um leitor deve valer-
se de
vivências sistemáticas de
leitura,
carregadas de significados e de sentidos
que contribuam para o ser/estar
no mundo,
numa perspectiva de interação entre o
mundo do leitor e o do autor do
texto (ou da obra);
deve envolver práticas sociais em que o
indivíduo sinta a necessidade de
ler. E deve,
ainda, fazer do ato de ler um momento de
apropriação de saberes, de
conhecimento de
si e do mundo e, sempre que possível, um
momento de puro prazer.
Disponível em:
http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/45
3769/o-ato-de-
ler-e-sua-importancia-vivencias-e-
exigencias Acesso em: dez./2013.