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Senhores, tenho ainda presente a essa em
que, por
algumas horas últimas, pousou o
corpo de
José de Alencar.
Creio que jamais o
espetáculo da morte me
fez tão singular
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impressão. Quando entrei na
adolescência,
fulgiam os
primeiros raios daquele grande
engenho;
vi-os depois em
tanta cópia e com tal
esplendor que eram
já um sol, quando
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entrei na mocidade.
Gonçalves Dias e os homens do seu
tempo
estavam
feitos; Álvares de Azevedo, cujo
livro era
a boa-nova dos
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poetas, falecera antes de revelado ao
mundo. Todos eles
influíam profundamente no
ânimo juvenil
que apenas
balbuciava alguma coisa; mas a ação
crescente de Alencar
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A sensação que recebi, no
primeiro
encontro
pessoal com ele, foi
extraordinária; creio
ainda agora que
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não lhe disse nada, contentando-me de
fitá-lo com os olhos
assombrados do
menino Heine ao ver passar
Napoleão. A
fascinação não diminuiu com o trato
do
homem e do artista.
19 Daí o espanto da morte. Não
podia crer que
o autor de tanta
vida estivesse ali, dentro
de um féretro,
mudo e inábil por
todos os tempos dos tempos.
Mas o mistério
e a realidade
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impunham-se; não havia mais que enterrá-lo
e ir conversá-lo
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em seus livros.
ASSIS,
Joaquim Maria Machado de. Páginas
recolhidas.
Paris: H. Garnier, 1906, com adaptações.