OBS: Não serão exigidas
as alterações
introduzidas pelo Decreto Federal
6.583/2008 - Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa, alterado pelo Decreto nº
7.875/2012 que prevê que a implementação
do Acordo obedecerá ao período de
transição de 1º de janeiro de 2009 a 31 de
dezembro de 2015, durante o qual
coexistirão a norma ortográfica atualmente
em vigor e a nova norma
estabelecida.”.
As sandálias da humildade
Ignorar a existência
de um problema
equivale a eternizá-lo. Albert Einstein já
dizia que só quando a gente reconhece uma
limitação é que se torna capaz de superá-
la.
Os japoneses entendem essa lição de
forma
clara. Dei-me conta disso com a reação das
autoridades aos resultados do Programa
Internacional de Avaliação de Estudantes,
da OCDE, que compara o rendimento de
secundaristas em diferentes países. Os
estudantes do Japão alcançaram o quarto
lugar em leitura e em ciências e o sétimo
em matemática. Tais resultados
representaram uma melhora da posição do
Japão nas três matérias em relação ao
exame anterior.
No entanto, não se viu
discurso
triunfalista; os resultados foram
recebidos com sobriedade. A maioria dos
comentários chamava a atenção para a
importância de que se fizessem esforços
ainda maiores para aprimorar a qualidade
acadêmica e a competitividade
internacional dos estudantes
japoneses.
Na mesma avaliação, o Brasil
também
melhorou em leitura, matemática e
ciências. As autoridades brasileiras
saudaram os resultados como "grande
avanço".
Talvez seja a influência da
cultura
japonesa em mim, mas acho muito cedo para
nos vangloriarmos. Nesse campo, vejo mais
batalha que vitória. Fizemos progressos,
mas poderíamos ter feito muito mais. Entre
65 países avaliados, o Brasil ficou em
58º. Nossa posição é, em si, vergonhosa.
Acabamos bem abaixo da média. Saímos
reprovados.
Somos um país em
desenvolvimento. Temos
nossas limitações. No entanto, para
superá-las, primeiro temos de reconhecê-
las, como sugeriu Albert Einstein.
Recentemente, o ministro dos Esportes
anunciou que alguns dos estádios
prometidos para a Copa não serão entregues
no prazo contratado. Algo no planejamento
ou na execução dos projetos falhou. Essas
coisas acontecem. Todo mundo está sujeito
a atrasos involuntários. Mas a primeira
coisa que a gente faz quando se atrasa é
desculpar-se. A segunda é explicar o
atraso a quem teve de aguentá-lo.
O
ministro não fez nem uma coisa nem
outra. Comparou a Copa do Mundo a um
casamento e os estádios a noivas, que
sempre se atrasam. Esqueceu-se, no
entanto, de considerar que, nos
casamentos, a festa é paga com recursos
privados. A construção dos estádios,
porém, é financiada com verbas públicas.
No caso da noiva, o atraso pode ser
charme. No caso de obras públicas, atrasos
nada mais são do que falhas, involuntárias
ou não, de quem é responsável por
construí-las.
Para corrigir esse
tipo de problema,
precisamos admitir sua existência. Somos
um país em desenvolvimento. Temos o
direito de errar. Mas, se não aprendermos
com os nossos erros, ficaremos em
desenvolvimento para sempre - ou, pelo
menos, por mais tempo do que seria
necessário. Uma vez mais, chegaremos
atrasados.
Para acelerar o passo, talvez devêssemos
calçar mais frequentemente as sandálias da
humildade. Quem sabe elas tornem mais
rápida a longa caminhada que, como país,
ainda temos diante de nós.
(Alexandre Vidal Porto – Folha de São
Paulo – adaptado)
As questões a
seguir referem-se ao texto
acima: