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Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde
Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa
01 Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de
02 uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava
03 desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma
04 massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saía da escola particular do
05 lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à
06 fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar.
07 Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se
08 caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos
09 domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.
[...]
PINHEIRO-MACHADO, Rosana. In http://www.cartacapital.com.br/sociedade/marginalzinho-a-socializacao-de-uma-elite-vazia-e-covarde-3514.html (acesso em 07/03/16).
Na palavra “corpos” (l. 08), tem-se a flexão de número do substantivo corpo. Além da marca do plural, a desinência nominal -s, observa-se a modificação do timbre da vogal tônica, isto é, fechado no singular [o] e aberto no plural [ɔ]. A essa mudança dá-se o nome de:
eufonia.
metafonia.
homofonia.
heterofonia.