Leia o texto abaixo para responder às questões de 01 a 9.
Viver com menos
Jovens da classe média reduzem consumo ao essencial por estilo, e não por necessidade.
Fenômeno minimalista começa a ser estudado em universidades e difundido na internet
- A fotógrafa catarinense Claudia Regina, de 24 anos, vive num apartamento de 40
- metros quadrados em Copacabana, na Zona Sul do Rio, sem liquidificador, micro-ondas e
- torradeira. Simples até na dispensa do sobrenome, ela também não tem carro. Dentro de
- casa, apenas uma cama, poucos armários e um frigobar. Os cabelos são mantidos
- praticamente raspados, o que elimina a necessidade do uso regular de shampoo e
- condicionador, assim como o de pente ou escova. O publicitário paulista Michell Zappa, de 28
- anos, mora nos Jardins, bairro de classe alta em São Paulo, num apartamento do mesmo
- tamanho do de Claudia, mas sem TV a cabo, DVD ou Blu-Ray. Até virtualmente ele cortou
- supérfluos. Tudo o que ouve é em serviço de streaming — o que significa que não precisa
- baixar músicas —, e os livros estão armazenados num Kindle.
- Não foi a ruína financeira que levou Claudia e Zappa a aderir à redução do estilo de
- vida ao essencial. Eles não se conhecem, mas comungam dos mesmos ideais quando o
- assunto é a maneira de consumir. Mais do que isso, fazem parte de um fenômeno social que
- já começa a ser debatido. É o que faz o pesquisador da PUC do Paraná, Jelson Oliveira. Ele
- está concluindo o livro “Simplicidade”, que será lançado até o final do ano. Entre os temas
- abordados está um dos aspectos da questão que Oliveira mais gosta de ressaltar: o “culto de
- viver com menos” não tem nada a ver com pobreza:
- — Adotar a ideia da simplicidade é estar disposto a abrir mão do excesso de bens de
- consumo. O aumento da procura por outra forma de viver é um sintoma de cansaço com
- uma sociedade altamente consumista.
- Criados na cultura digital, os adeptos da simplicidade voluntária subtraem móveis,
- roupas, sapatos, livros, qualquer bem de consumo considerado supérfluo de suas vidas.
- Ainda que seja um fenômeno social contemporâneo sem líderes nem regras, alguns usam o
- espaço virtual para divulgar suas ideias.
- O escritor carioca Alex Castro, de 39 anos, que cresceu num apartamento de 600
- metros quadrados na Barra da Tijuca, aderiu ao movimento e usa seu site pessoal para
- propagar suas ideias sobre a redução do estilo de vida ao essencial. A base de tudo é o
- minimalismo — movimento cultural do século passado que faz uso de poucos elementos
- fundamentais como base de expressão.
- — Antes eu atrelava os momentos felizes a objetos inanimados. Um dia, fiquei
- irritado porque um amigo usou minha caneca. Decidi que não queria ser essa pessoa.
- Descobri que jogar fora os objetos não significa jogar fora as emoções. Passei a viver uma
- vida sem rastro, aumentando a prática do desapego.
- Castro reduziu seus pertences de tal forma que garante caberem numa caixa. Poucas
- roupas e sapatos, assim como utensílios domésticos. Ele só não abre mão de investir num
- bom laptop, Kindle, celular, câmara digital e cachimbos. Todo o resto, teoriza, é supérfluo.
- [...] O relatório “Estado do Mundo — 2010", da ONG ambientalista WorldWatch Institute,
- mostrou que apenas um terço da população mundial consome mais do que a Terra é capaz
- de repor. Os outros dois terços da população do mundo sequer conseguem ir às compras, já
- que apenas garantem sua própria sobrevivência.
Disponível em: <http://oglobo.globo.com/amanha/viver-com-menos-8451460> Acesso em 22 mai. 2013