No livro Sofrendo a gramática, Mário Perini analisa e discute alguns mitos, fatores e sintomas relacionados à prática da escrita e ao domínio da gramática na educação básica.
Vamos pensar um momento: se é preciso saber gramática para escrever bem, será de esperar que as pessoas que escrevem bem saibam gramática - ou pelo menos, que as pessoas que sabem gramática escrevem bem. Será que isso acontece? Meu autor brasileiro favorito é Luís Fernando Veríssimo; na minha opinião (e na de alguns outros), ninguém escreve melhor do que ele hoje em dia, no Brasil. Mas o Veríssimo não sabe praticamente nada de gramática; por ter sido mau aluno, por ter abandonado a escola, por não ter feito letras? Não. Não sabe gramática pela mesma razão que nós, que fomos bons alunos, fizemos nossos cursos até o fim e temos diplomas de letras, não a sabemos: porque ninguém sabe gramática. E isso não impede pelo menos alguns de nós de escrever toleravelmente bem ou mesmo (como o Veríssimo) muito bem. PERINI, 2005, p. 50. |
É correto afirmar o seguinte:
Mário Perini defende um ensino rigoroso de gramática prescritiva para que os alunos escrevam bem.
para Mario Perini, os alunos têm dificuldade de escrever bem hoje porque os cursos de letras desconsideram o ensino de gramática normativa na formação docente.
na visão do autor, é preciso ensinar na escola a gramática prescritiva, ou seja, uma gramática que defina normas de uso da língua baseadas na oposição “certo x errado”.
o desenvolvimento de habilidades requeridas na escrita está diretamente relacionado ao domínio de regras de gramática normativa, havendo pouca influência da formação leitora do aluno.
o discurso sobre a prática do “bem escrever” tem origem na crença de que o bom domínio de uma língua só é possível a partir do total domínio de regras da gramática normativa.