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A utilização de um texto em outro, de forma indireta ou...

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.


Ao vencedor as batatas – uma reflexão sobre a lógica da guerra


A filosofia clássica já nos informava que “lógica” é o

método empregado pelo Homem para separar as ideias

válidas e morais das ideias inválidas e imorais. Por conta

disso, uma das grandes perguntas da humanidade é qual

a lógica da guerra. Considerando que o Homo sapiens

construiu sua história através de guerras, é bem possível

que ele consiga enxergar a lógica.


E a lógica acaba sendo sempre explicada, o que não

quer dizer que ela seja sempre entendida. Até porque

a história final é sempre contada pelos vencedores, e

“ai dos vencidos…”. Esta guerra que estamos para

presenciar (de casa, confortáveis, comendo pipocas)

deve ter uma lógica, pois os protagonistas se esforçam

em justificá-la. Que bom se pudéssemos entendê-la!


Diz a superpotência, os Estados Unidos da América, que

a lógica é a ameaça do poder de destruição em massa do

arsenal iraquiano, mas os peritos da ONU não encontram

esse arsenal, então não é lógica, é presunção. Diz então

a superpotência que o ditador é sanguinário e tortura

criancinhas, mas que se ele se desarmar será deixado

em paz, então o interesse não está ligado às criancinhas

iraquianas, portanto isso não é lógica, é hipocrisia. Diz

então a superpotência que o ditador apoia os terroristas

fundamentalistas, porém nenhuma evidência de ligação

com os mesmos foi jamais encontrada, então isso não é

lógica, é querer desviar atenção de um inimigo invisível,

para um visível, sendo, portanto, ilusionismo.


Parece então que a lógica desta guerra está sendo

construída a partir de presunção, hipocrisia e ilusionismo,

porém sabemos que esses não podem ser aceitos como

pressupostos da lógica. Portanto, sem os pré-requisitos

da lógica, não há lógica. Ou a lógica tem que ser

explicada a partir de outros argumentos. Por qual motivo,

então, não usar os argumentos certos? Não se deveria

começar de baixo, bem de baixo, mas tão de baixo

que podemos chamar esse lugar de subsolo? Afinal o

subsolo pode sim oferecer um argumento lógico para

uma guerra, como já fez outras vezes. Isso não significa,

é claro, que essa lógica seja aceita por todos, mas pelo

menos é uma lógica com fundamentos.


Falando no subsolo e em suas riquezas, prefiro a ironia

da lógica machadiana que, pelo menos, tem estilo:


“A guerra tem um caráter benéfico e conservador.

Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas.

As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos,

que assim adquire forças para transpor a montanha e ir

à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas,

se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo,

não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de

inanição.


A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a

conservação. Uma das tribos extermina a outra e

recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos,

aclamações, recompensas públicas e todos os demais

efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso,

tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo

real que o homem só comemora e ama o que lhe é

aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que

nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a

destrói. Ao vencido o ódio ou a compaixão, ao vencedor,

as batatas.” (Trecho do romance Quincas Borba, de

Machado de Assis, 1891).


MUSSAK, Eugenio. Eugenio Mussak. Disponível em:

<https://bit.ly/2GATHNn>. Acesso em: 5 abr. 2018 (Adaptação).

A utilização de um texto em outro, de forma indireta ou direta, como ocorre nesse texto, é conhecida como


A

metáfora.


B

texto-legenda.


C

intertextualidade.


D

variação linguística.