

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Leia o texto de Lygia Fagundes Telles para responder às questões de números 08 a 12.
No princípio era o caderno
Quando mocinhas, elas podiam escrever seus pensamentos e estados d’alma (em prosa e verso) nos diários de capa acetinada com vagas pinturas representando flores ou pombinhos brancos levando um coração no bico. Nos diários mais simples, cromos coloridos de cestinhos floridos ou crianças abraçadas a um cachorro. Depois de casadas, não tinha mais sentido pensar sequer em guardar segredos, que segredo de mulher casada só podia ser bandalheira. Restava o recurso do cadernão do dia a dia, onde, de mistura com os gastos da casa cuidadosamente anotados e somados no fim do mês, elas ousavam escrever alguma lembrança ou uma confissão que se juntava na linha adiante com o preço do pó de café e da cebola.
Minha mãe guardava um desses cadernos que pertencera à minha avó Belmira. Me lembro da capa dura, recoberta com um tecido de algodão preto. A letrinha vacilante, bem desenhada, era menina quando via minha mãe recorrer a esse caderno para conferir uma receita de doce ou a receita de um gargarejo. “Como mamãe escrevia bem! – Observou ela mais de uma vez. – Que pensamentos e que poesias, como era inspirada!”.
Vejo nas tímidas inspirações desse cadernão (que se perdeu num incêndio) um marco das primeiras arremetidas da mulher brasileira na chamada carreira de letras – um ofício de homem.
(A disciplina do amor. Rocco, 1998.)
Pelas ideias apresentadas, é correto afirmar que o texto é
poético, por conta da linguagem prolixa empregada pela narradora e do caráter estritamente ficcional dos eventos relatados.
confessional, pois a narradora recorda e analisa situações constrangedoras vivenciadas durante sua infância.
de depoimento, já que o relato e a consequente reflexão sobre os eventos ocorridos estão associados a experiências da própria narradora.
de crítica, uma vez que a narradora lamenta o número restrito de novas escritoras no contexto literário atua
de cunho histórico, visto que a narradora determina, com base acadêmica, o período em que nasceu a literatura feminina em nosso país.