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Na linha 27, o emprego do acento indicativo de crase em “às...

Texto para os itens de 1 a 12.


1 Não há fenômeno psicológico mais relevante para

o homem comum do que as emoções, seja na vida normal,

seja nos estados patológicos, tanto é que, em 1872, Charles

4 Darwin dedicou um de seus livros ao estudo da expressão

das emoções no homem e nos animais. Elas foram

examinadas na filosofia grega, e filósofos mais recentes,

7 como Espinoza e Descartes, trataram extensamente do

assunto. Na literatura de ficção, assim como nos mitos, as

emoções humanas desempenham papel central. É no

10 patrimônio cultural, e não na introspecção, que escritores

e filósofos colhem sua matéria-prima. A linguagem

cotidiana do homem comum tem um conjunto de palavras

13 que designam variações ou tipos de emoções. A cultura não

apenas fornece os nomes de um conjunto de emoções.

Oferece, também, um discurso sobre suas causas e

16 consequências. Teria sido muito natural, portanto, que a

construção da psicologia tivesse priorizado as emoções

entre todos os seus assuntos, mas não foi isso que se

19 verificou ao longo do século XX.

As emoções não são necessariamente

conscientes. O cérebro foi projetado pela evolução para

22 usar informações derivadas do ambiente e do próprio

organismo a fim de regular, funcionalmente, o

comportamento e o próprio corpo, e isso reúne aspectos

25 cognitivos e emocionais, tais como aprendizagem com

amor, ciúme e nojo.

O termo cognição é, às vezes, usado para se referir

28 a um tipo de pensamento deliberado, voltado para a

solução de um problema, como na matemática ou no jogo

de xadrez, um pensamento frio, isento de paixão. Na

31 perspectiva evolucionista, o conceito de cognição tem de

servir para todas as atividades cognitivas, quentes ou frias,

e não para algum subconjunto de operações. As emoções,

34 nessa perspectiva, podem ser compreendidas como forças

impulsionadoras, moldadas pela seleção natural, que

motivam o sujeito à ação, levando-o a fazer uso de suas

37 capacidades cognitivas.

Assim como as estruturas físicas, as capacidades

cognitivas e emocionais evoluíram para resolver problemas

40 de significado adaptativo. Acrescenta-se a isso a

compreensão funcional de que as emoções existem para

levar o indivíduo a desejar as coisas que levaram os seus

43 ancestrais hominídeos a serem bem-sucedidos em termos

de aptidão abrangente (seleção no nível do gene,

determinada pela sobrevivência de todos os indivíduos de

46 dada população portadores desse gene) no ambiente de

adaptação evolutiva (AAE) no qual eles viveram, cuja origem

é estimada em mais de dois milhões de anos. Logo, o ser

49 humano reage com alegria quando a busca de alvos

biossociais significativos é bem-sucedida e reage com raiva

ou tristeza quando é frustrada.


Angela Donato Oliva et al. Razão, emoção e ação em cena: a mente

humana sob um olhar evolucionista. In: Psicologia: Teoria e Pesquisa,

v. 22, n.o 1, jan./abr./2006, p. 53-62 (com adaptações).


Julgue os itens de 5 a 12, relativos à estruturação linguística do texto.

Na linha 27, o emprego do acento indicativo de crase em “às vezes” justifica-se pela regência da forma nominal “vezes”.


C

Certo


E

Errado