

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Para responder às questões 33 e 34, considere os dois poemas de Oswald de Andrade e o excerto do livro Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.
PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 1991.)
BRASIL
Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da
Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval!
(ANDRADE, Oswald de. Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 1994.)
ABRASILEIRAMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL DOS PRIMEIROS TEMPOS
“A ama negra fez muitas vezes com as palavras o mesmo que a comida: machucou-as, tirou-lhes as espinhas, os ossos, as durezas, só deixando para a boca do menino branco as sílabas moles. Daí esse português de menino que no Norte do Brasil, principalmente, é uma das falas mais doces deste mundo. Sem rr nem ss; as sílabas finais moles; palavras que só faltam desmanchar-se na boca da gente. A linguagem infantil brasileira, e mesmo a portuguesa, tem um sabor quase africano: cacá, pipi, bumbum, nenen, tatá, lili […]
Esse amolecimento se deu em grande parte pela ação da ama negra junto à criança; do escravo preto junto ao filho do senhor branco. E não só a língua infantil se abrandou desse jeito, mas a linguagem em geral, a fala séria, solene, da gente, toda ela sofreu no Brasil, ao contacto do senhor com o escravo, um amolecimento de resultados às vezes deliciosos para o ouvido. Efeitos semelhantes aos que sofreram o inglês e o francês noutras partes da América, sob a mesma influência do africano e do clima quente.”
(Freyre, Gilberto. "Casa-Grande & Senzala". 9. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.)
Comparando o poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade, com as reflexões de Gilberto Freyre, sobre as influências sofridas pela Língua Portuguesa no Brasil, é possível considerar:
Os dois autores destacam a linguagem como um duplo prazer nacional que varia entre o falar/ escrever e o saborear. Isso, em “Pronominais”, pode ser comprovado na referência ao vício do cigarro, que é uma metáfora do prazer de comer.
É possível perceber que, nos dois textos, há ênfase sobre níveis distintos de falares, entre o formal e o informal. Oswald de Andrade indica, claramente, em “Pronominais”, o abrasileiramento e o enriquecimento da Língua Portuguesa, conforme demonstra Gilberto Freyre.
Os dois textos elogiam a cultura do homem branco europeu, que, de forma desprendida, enriqueceu as culturas brasileira e africana.
Somente o texto de Gilberto Freyre reforça a convergência entre falar, escrever e saborear, porque, no texto em “Pronominais”, está dito, nas entrelinhas, que a Gramática é a causa do desprazer da língua.
É impossível perceber que, nos dois textos, há ênfase sobre níveis distintos de falares, entre o formal e o informal. Oswald de Andrade não indica, claramente, em “Pronominais”, o abrasileiramento e o enriquecimento da Língua Portuguesa, conforme demonstra Gilberto Freyre.