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Texto para os itens de 1 a 16.
1 ____ O registro da presença de doenças remonta à Antiguidade, e a explicação monocausal de origem mágico‐religiosa —
fatores sobrenaturais, elementos básicos da natureza, castigos divinos, miasmas — permaneceu até a Idade Moderna. No final
do século XIX, a partir de um saber elaborado da humanidade, o pensamento monocausal, fundamentado, cientificamente, pela
4 descoberta das bactérias, explicou os problemas de saúde por meio da relação agente e hospedeiro.
Essa vertente ecológica evoluiu a partir da incorporação da multicausalidade: múltiplos fatores (idade, sexo, renda,
ocupação, entre outros) vinculados ao hospedeiro, em determinado ambiente, provocam desequilíbrio, o que acarreta o
7 surgimento das doenças. Assim, caracterizou‐se a tríade agente, hospedeiro e ambiente.
A relação causa e efeito de cunho mono ou multicausal tem caráter individual, enfatiza a natureza biológica da doença e
caracteriza o predomínio do pensamento clínico. A saúde é entendida ou representada como ausência de doença e ganha
10 dimensão social a partir da visão capitalista emergente. A organização dos serviços começa a ser medicamente definida e tem
como objetivo colocar à disposição da população serviços preventivos e curativo‐reabilitatórios acessíveis.
Apesar da dimensão social, a prática da atenção médica tradicional exclui a integralidade e o caráter coletivo das doenças,
13 traduzindo, para essa prática, as queixas dos doentes, o que permite que espancamentos virem hematomas, que dramas e
conflitos sejam captados e tratados como patologias ou doenças mentais, que problemas familiares e sociais se transformem
em problemas estritamente biológicos e atinentes aos atos médicos. Na maioria das vezes, esses atos são traduzidos em
16 medicamentos, símbolos contemporâneos da cura e do bem‐estar.
Todavia, há quase dois séculos, no início do capitalismo industrial, Louis René Villerme, na França, e Rudolf Virchow, na
Alemanha, propuseram que os remédios para as epidemias seriam prosperidade, educação e liberdade. Em 1826, Villerme, ao
19 estudar a mortalidade em Paris, demonstrou a relação entre problemas sociais e doença. Em 1847, Virchow, ao investigar
epidemias em distritos locais, concluiu que as causas dessas tinham caráter social. No célebre estudo sobre a epidemia de cólera
em Londres, John Snow evidenciou que o foco da doença estava localizado nas regiões mais pobres e desprovidas de saneamento
22 básico.
Essa corrente de pensadores da época comprovou as relações entre saúde e qualidade de vida, inspirando outros
pesquisadores, técnicos e políticos de nossos dias, ao indicar que os determinantes da saúde são geralmente não biológicos e
25 externos aos sistemas de saúde e que a morbimortalidade cai quando melhoram a disponibilidade e a qualidade da água, do
alimento e da educação, as condições de trabalho, renda e lazer, a preservação do meio ambiente, entre outros fatores.
Amauri Moraes dos Santos. Desafios e oportunidades do farmacêutico na promoção da saúde.
Infarma [Conselho Federal de Farmácia], v. 17, n.º 5‐6, 2005, p. 73 (com adaptações).
Julgue os itens de 7 a 16 quanto à estruturação linguística do texto.
Mantém a correção gramatical a reescrita do trecho “o que permite que espancamentos virem hematomas, que dramas e conflitos sejam captados e tratados como patologias ou doenças mentais, que problemas familiares e sociais se transformem em problemas estritamente biológicos e atinentes aos atos médicos” (linhas de 13 a 15) como o que possibilita a conversão de espancamentos em hematomas, a captação de dramas e conflitos e o tratamento desses como patologias ou doenças mentais, a transformação de problemas familiares e sociais em problemas estritamente biológicos e concernentes a atos médicos.
Certo
Errado