Leia o Texto 01 e responda da 1ª a 10ª questão.
Texto 01 – O contrário do Amor
- O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar
- na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o
- ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do
- amor não é o ódio, é a indiferença.
- O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse
- totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que
- dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também
- uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu
- nome não consta mais do cadastro.
- Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações,
- por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio,
- ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios
- brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio,
- necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria
- para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a
- cor do amor.
- Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão
- pode saltar de bungee-jumping, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua,
- estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua
- existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e
- muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem
- não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada. [...]
Fonte: MEDEIROS, Martha. Disponível em: <https://www.pensador.com/textos_de_martha_medeiros >
Acesso em 02/junho/2021.