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Assinale a alternativa que apresenta um dos sinônimos do...

Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.


Quando a cegueira é voluntária


  1. Olhando bem direitinho para trás, cada um de nós vai conseguir se lembrar de algumas
  2. situações da vida em que, por falta de opção, maturidade, preparo, habilidade ou conhecimento,
  3. fez a escolha – sim! Tudo é uma escolha – de não ver o que estava literalmente na frente do
  4. nariz. Proponho aqui uma experiência: peça para alguém aí do seu lado que pegue um objeto
  5. qualquer, de preferência com tamanho de ao menos uns 50 centímetros; feche os olhos e peça a
  6. essa gentil pessoa que coloque o tal objeto bem grudado no seu nariz; abra os olhos e descreva
  7. o que você vê. Viu que quando algo está perto demais a gente fica impossibilitado de ver o
  8. todo?
  9. Eu fiz aqui a experiência: com um livro colado às minhas narinas, pude dizer que era um
  10. livro e que era antigo; soube que era um livro porque reconheço o cheiro dos livros até de olhos
  11. vendados e soube que era velho porque tinha cheiro de livro velho. Mas fui incapaz de responder
  12. a perguntas que só seriam possíveis de responder se eu tomasse alguma distância e, de
  13. preferência, pudesse manuseá-lo. Que livro? Sobre o quê? Por que foi escrito? Por quem foi
  14. escrito? Quem ilustrou? Quantas páginas tem? Quantas edições? Ver, olhar e enxergar requer de
  15. nós algum distanciamento. Requer de nós alguma imparcialidade, muita sabedoria, uns bons
  16. anos de experiência, disponibilidade para desencaixotar o olhar e abrir a mente. Sem esses pré-
  17. requisitos a visão fica distorcida, rasa e prejudicada.
  18. A vida é uma sucessão infinita de coisas coladas aos nossos narizes. Na ânsia de possuir,
  19. experimentar e sentirmo-nos incluídos, aproximamo-nos demais daquilo que desejamos, das
  20. experiências que queremos viver, dos ideais que abraçamos, das crenças que optamos por
  21. acolher em nossas almas. Quantas vezes vemos algum amigo, ou amiga, embarcar numa canoa
  22. furada, seja essa canoa um relacionamento, um emprego ou a simples compra de um objeto de
  23. desejo. Estou citando a questão do amigo, ou amiga, porque é muito mais fácil para qualquer
  24. um de nós enxergar uma roubada quando ela é alheia, confere? Confere. E a razão é simples: a
  25. roubada é do outro, portanto, não está grudada nos nossos narizinhos.
  26. Bem, supondo que o amigo, ou amiga, começou um namoro. Então, ao sermos
  27. apresentados ao parceiro ou parceira, somos surprendidos pelo erro inequívoco da escolha. E
  28. não estou falando da aparência, até porque a aparência realmente é o de menos! Estou aqui a
  29. falar acerca da envergadura moral e ideológica do par amoroso. Quanto mais a pessoa fala, ou
  30. não fala, a gente vai ficando cada vez mais chocado e preocupado. No final, diante dos olhos
  31. imbevecidos do nosso amigo, ou amiga, acometidos pela cegueira da síndrome do
  32. relacionamento novo, mais conhecida como paixonite, despedimo-nos e vamos para nossas
  33. casas com uma pulga de dimensões continentais atrás da orelha. Será que fulano parou a
  34. terapia? Será que foi abduzido? Será que anda tomando algum chá alucinógeno? Será que eu
  35. não conhecia meu amigo, ou amiga de fato? Será que sou eu o errado? E o pior: o que faço
  36. agora? Falo? Calo-me?
  37. É, companheiros e companheiras, conviver é mesmo coisa complicada! Quando estamos
  38. diante da cegueira voluntária alheia, é fácil ver o equívoco, o que não torna em nada o passo
  39. seguinte mais fácil, posto que se trata da vida alheia. E vida alheia é território sagrado, é lugar
  40. em que se pisa com amor e cuidado. Em geral, o correto e mais terapêutico é ajudar o(a)
  41. coleguinha a refletir por conta própria, dando uns pitaquinhos de leve. Entretanto, se depois
  42. desses “toques” a criaturinha apenas sorrir com o olhar distante ou argumentar a favor de sua
  43. nova companhia e depois disso passar a evitar a sua… Bom, aí não há o que fazer! Sinto muito!
  44. É esperar o tempo se encarregar de esclarecer as duras realidades da vida, respeitar o espaço
  45. alheio e torcer para ser você o maluco. E, caso dê errado, estar por perto para ouvir, acolher,
  46. dar colo e não julgar. E o mais importante: nunca dizer “só você que não viu!” ou “eu tentei
  47. avisar!”.


(Disponível em: https://www.contioutra.com/quando-a-cegueira-e-voluntaria/ – Texto adaptado especialmente para esta prova.)

Assinale a alternativa que apresenta um dos sinônimos do adjetivo “inequívoco” (l. 27).


A

Consagrado.


B

Evidente.


C

Incógnito.


D

Lamuriante.


E

Sestroso.