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Leia o texto.
Crônica tem esta vantagem: não obriga ao paletó-e-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a especialização suada em economia, finanças, política nacional e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se possa. Sei bem que existem o cronista político, o esportivo, o religioso, o econômico, etc., mas a crônica de que estou falando é aquela que não precisa entender de nada ao falar de tudo. Não se exige do cronista geral a informação ou os comentários precisos que cobramos dos outros. O que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa, que desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo e não trivial, e desperte em nós a inclinação para o jogo da fantasia, o absurdo e a vadiação de espírito. Claro que ele deve ser um cara confiável, ainda na divagação. Não se compreende, ou não compreendo, cronista faccioso, que sirva a interesse pessoal ou de grupo, porque a crônica é território livre da imaginação, empenhada em circular entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles. Fazer mais do que isto seria pretensão descabida de sua parte. Ele sabe que seu prazo de atuação é limitado: minutos no café da manhã ou à espera do coletivo.
Carlos Drummond de Andrade – “Ciao”, in Shopping News – City News.
Considere a frase adaptada do texto.
“Não se exige do cronista geral a informação ou os comentários precisos onde cobramos dos outros, embora o que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa, as quais desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo já que não trivial”.
Sobre a frase, assinale a alternativa correta.
Contém problemas com a coesão textual na articulação das ideias.
“… a informação” é um termo essencial na frase; é, pois um sujeito simples.
Se trocássemos o termo sublinhado por “os quais” ele concordaria com “outros” e a frase continuaria correta.
A frase “embora o que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa” dá uma ideia aditiva à frase no seu contexto.
A palavra “não” que inicia o texto tem função sintática diferente das duas outras vezes em que aparece, já que se refere a um verbo enquanto que as outras a um adjetivo.