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Em: “Meu pai era cantor de coral e é uma pena que tenha...

Leia o texto e responda o que se pede no comando das questões.


TRANSFORMO ESCOMBROS EM MÚSICA.

O bombeiro Davi Lopes, 51, converte a madeira queimada no incêndio do Museu Nacional em belos instrumentos.


Sou músico desde criança. Aos 10 anos, tocava saxofone e flauta. Também já gostava de passear pelo Museu Nacional, no Rio, minha cidade. Era fascinado por história e arqueologia. Mas aí cresci. Fui vendo que dava para fazer dentro da minha realidade e acabei entrando para o Corpo de Bombeiros, onde estou desde 1987. Assim que ingressei na corporação, adotei a marcenaria como hobby, fazendo portas e móveis. A música, porém, nunca me deixou e, um dia, me veio a ideia de coletar madeira dos escombros dos incêndios que ajudava a debelar e transformá-la em instrumentos. Sabia que precisava estudar, treinar, aprender. E como não havia luthiers no Rio naquela época, completei o tempo de serviço necessário para tirar uma licença remunerada e parti para São Paulo para fazer um curso e observar profissionais conhecidos em atividade. Na volta, me senti preparado para estrear meu próprio trabalho.

Eu não estava de plantão no dia do incêndio do Museu Nacional, o fatídico 2 de setembro de 2018. Mesmo assim, vesti o uniforme e corri para lá. Trabalhei madrugada adentro, concentrado no combate às labaredas que engoliam o prédio no resgate do acervo. Não havia espaço para emoção naquele momento, só senso de dever: salvar o máximo que pudesse das chamas. Depois, sim, chorei. Continuei lá todos os dias e comecei a pensar no destino das madeiras ainda aproveitáveis. Era um material revestido de história, não podia ser desperdiçado. Foi quando recebi um e-mail oficial que dizia: “Ajude a reconstruir o Museu Nacional com a sua ideia”. E ela apareceu. Encaminhei uma proposta de produzir instrumentos musicais com aquele monte de madeira - e foi aceita. Dei então . início aos pedidos de autorização, porque ainda que se tratando de escombros, continuava sendo patrimônio da União.

Junto com outras seis pessoas de diversas áreas empenhadas em trabalhar para reerguer o Museu Nacional, surgiu o Grupo Fênix, do qual fazem parte o cineasta Vinícius Dônola e o cantor Paulinho Mosca, meu amigo. O objetivo é justamente pôr a frente o projeto de converter a madeira queimada, aparentemente sem uso, em instrumentos musicais que podem trazer dinheiro e vir a ser preciosos para o renascimento do museu. Para mim, virou uma missão. A ideia de um documentário que seria intitulado “Fênix: o Voo de Davi”, nasceu logo na primeira reunião e começaram a filmar desde os primeiros dias de labuta, mesmo sem patrocínio firmado, registrando a força tarefa. Fomos retirando as madeiras — mogno, cedro, vinhático, peroba do campo, braúna, jacarandá e catalogamos, separando o que servia. O plano inicial era construir doze instrumentos e exibi-los em apresentações e shows para arrecadar recursos. Com a pandemia, só consegui fazer seis: violão de corda de aço, violão de corda de náilon, bandolim, cavaquinho, violino e viola caipira.

A divulgação do projeto teve padrinhos fora de série, que me causaram grande emoção ao tocar meus instrumentos, como Gilberto Gil e Paulinho da Viola. Uma honra. O projeto foi ganhando corpo, e a Globo adquiriu o direito de exibição do documentário (disponível na Globo Play). Vamos agora oferecer os instrumentos em um leilão com renda revertida para o museu. Meu pai era cantor de coral e é uma pena que tenha morrido há 18 anos, sem poder ver tudo isso. Ele ficaria comovido. Minha mãe, uma artesão talentosa, acompanha o andamento dos trabalhos com aquela sensação de que o caminho é bom. Depois do trágico incêndio, meu empenho é para reconstruir a joia carioca que vimos desaparecer. É a reedificação da vida a partir dos escombros, é renascer após as cinzas sem nunca recuar, como a Fênix da mitologia.

Fonte: Depoimento dado a Marina Lang. VEJA, 15 de setembro, 2021.



Em: “Meu pai era cantor de coral e é uma pena que tenha morrido há 18 anos, sem poder ver tudo isso.” só é possivel afirmar sobre overbo “haver”:


A

É correta sua substituição por “fazem”.


B

Pode ser empregado na indicação de tempo futuro.


C

Está na forma impessoal, sem sujeito.


D

Está conjugado na terceira pessoa do modo subjuntivo.