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O autor se refere- à duplicidade de representação do mesmo...

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões propostas.


“A xacina do testo”


1 Apezar da xuva, muita jente esteve prezente ao ezersisio de jinastica qe teve lugar no colejio.

Omens, mulheres e criansas, no fim, cantaram o Ino Nasional. Ouve pesoas qe ate xoraram de emosão

cuando a festa terminou. Oje qem qiser pode asistir a nova aprezentasão.

A impressão é de escombros do que foi outrora a língua portuguesa em sua forma escrita. Como se

5 tivesse sido atingida por uma bomba e alguns destroços irreconhecíveis houvessem sido resgatados da

hecatombe. A comparação não é absurda. Tem o efeito de uma bomba a radical reforma ortográfica

defendida pelo site Simplificando a Ortografia (simplificandoaortografia.com), criado pelo professor de

português Ernani Pimentel. Sua proposta é acabar com letras que não se pronunciam, como o “H” no início

de certas palavras e o “U” que se segue ao “Q” em “quintal” e “querido”, assim como a duplicidade de

10 representação do mesmo som em “S” e “Z”, “SS” e “Ç” ou “G” e “J”.

Não é uma proposta inovadora. Para citar uma das que já se apresentaram com espírito semelhante

no passado, o general Bertoldo Klinger, figura preeminente da Era Vargas, não só formulou a sua como a

praticou – ele grafava seus textos segundo as regras que inventou. O general (aliás, jeneral) Klinger, em

quem o reformador da língua escrita se misturava ao reformador do povo brasileiro, explicava: “Ortografia

15 é lojica. Lojica é ordem. Sem ordem não a nasão. Logo, não a nasão sem ortografia lojica”.

[...] Essa história tem origem nas discórdias que se seguiram à assinatura, em 1990, do Acordo

Ortográfico pelo qual os países de língua portuguesa se comprometeram a unificar suas regras ortográficas.

Restrições surgiram em todos os países signatários. No Brasil, o acordo deveria entrar em vigor em 2009, e

na prática realmente entrou, com sua adoção nas escolas, na imprensa e nas editoras de livros. Oficialmente,

20 no entanto, dadas as divergências com os outros países, adiou-se a entrada em vigor para 2016.

Nesse vácuo entrou a Comissão de Educação [...], que decidiu rediscutir o acordo e criou um grupo

de trabalho [...] Duas audiências públicas serão realizadas. Espera-se que, nelas, falem mais alto as palavras

da professora Marília Ferreira, presidente da Associação Brasileira de Linguística [...]: “A ortografia não

existe para representar a fala, mas é uma representação abstrata e convencional da língua. Para poder ser de

25 fato funcional, a ortografia deve necessariamente afastar-se da diversidade da fala. Só assim se poderá

garantir um sistema ortográfico estável e perene em que haja uma única representação gráfica para cada

palavra. É essa representação única que torna possível que a palavra seja reconhecida em qualquer texto,

independentemente de suas inúmeras pronúncias no espaço e no tempo”.

A alternativa é a xacina do testo em língua portugueza. A anarqia. A ecatombe.


(TOLEDO Roberto Pompeu de. A xacina do testo. Revista Veja. p. 106. 21 de setembro de 2014. Adaptado.)

O autor se refere- à duplicidade de representação do mesmo som, que é um fenômeno fonológico da língua portuguesa.


Assinale a alternativa que apresenta palavras que exemplificam esse fenômeno.


A

Existe – táxi.


B

Gelo – gesto.


C

Evasão – nação


D

Casa – bazar.