Imagem de fundo

O termo “fala”, na expressão “fala do trono de 1869” (linha...

Questão 5


Texto 3 para responder às questões de 5 a 7.


1____É a história da emancipação da escravatura entre nós.

Outrora a escravidão pareceria fadada à perpetuidade neste

País. Falar em extingui-la seria uma blasfêmia. Fizeram-na

4 esposar a lavoura, cuidando uni-las para sempre. A nação tinha

edificado a sua fortuna sobre um crime, consagrando-o nos

seus códigos como uma necessidade social.

7____Hoje o princípio emancipador, difundido pela civilização,

lavrou por toda a parte.

Na Europa e na América desapareceu a escravidão.

10___Só nós alimentamos no seio esta ignomínia.

A pressão formidável das ideias cresce de dia para dia em

volta de nós como um oceano prenhe de tempestades.

13___No meio de tudo isto o que fez o governo? Nada;

absolutamente nada!

A fala do trono de 1869 é uma vergonha indelével. O Sr.

16 D. Pedro II que, em 1867 e em 1868, havia proclamado

solenemente a urgência da reforma abolicionista, que tinha

celebrado compromissos públicos com o País e com a Europa,

19 que alardeava de todo modo tendências humanitárias, vem

rasgar aos olhos do mundo o único título meritório com que até

hoje podia ufanar-se o despotismo de sua autoridade retratando

22 com o silêncio todas as suas promessas para envolver-se em

uma abstenção misteriosa e injustificável.

E ainda há quem diga que a emancipação neste País não é

25 questão de partidos!

Sim, não devia sê-lo.

Mas a índole mesquinha de nossa política tem convertido

28 esse reclamo da consciência nacional em arma de hostilidades.

Algum dia, quando a liberdade não for mais o privilégio

dos brancos no Brasil, quando a posteridade examinar os

31 nossos feitos com o facho da História na mão, a justiça dos

vindouros há de gravar na memória do Partido Conservador o

estigma da reprovação eterna, porque ele sacrificou aos

34 interesses momentâneos do poder o interesse imorredouro da

verdade; aos cálculos estéreis do egoísmo as necessidades

imperiosas do futuro, e à pequenhez das considerações pessoais

37 os direitos inalienáveis de uma raça escravizada.

Não protesteis! Se a emancipação, em 1867 e em 1868,

era tão urgente, que o imperador a mandava estudar pelo

40 conselho d’Estado, e a consignava nos discursos da coroa como

a necessidade capital do País, invocando para ela a reflexão do

parlamento, como é que de um ano para o outro esta

43 necessidade urgente e imediata torna-se tão secundária, tão

indiferente, tão remota que nem sequer merece ser mencionada

na fala do trono?

46___Felizmente, porém, há um preceito e um fato de

observação que nos animam.

O primeiro é que, desde que a verdade chega a

49 amadurecer com os acontecimentos, cada embaraço com que

trabalhamos por contrariá-la é um acréscimo de força para a sua

multiplicação.

52___O segundo é o imponente movimento do espírito nacional

que se vai formando lentamente no País.

A servidão em que temos vivido até hoje, a ausência

55 completa de animação política do País, tem-nos habituado a

desdenhar esses fatos, que, sob a modéstia de suas feições,

57 ocultam graves sistemas de regeneração pública.


BARBOSA, Ruy (2013-11-06T22:58:59). Obras de Ruy Barbosa. Biblioteca Digital. Edição do Kindle, com adaptações.


Considerando as ideias contidas no texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

O termo “fala”, na expressão “fala do trono de 1869” (linha 15), faz referência, de forma crítica, ao “silêncio” (linha 22) e à “abstenção” (linha 23) do governante, mencionados nas linhas seguintes do texto.


C

Certo


E

Errado