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Leia o texto para responder às questões 22 e 23.
Segundo Bakhtin, os gêneros do discurso são praticamente infinitos, nascendo de acordo com as necessidades de comunicação humana. O surgimento de gêneros não se liga diretamente à estabilidade relativa. Esta se refere ao fato de todo gênero combinar elementos estáveis, que lhe permitam ser identificado como o gênero que é, com variações dependentes do contexto de uso, das necessidades específicas de cada interação e da posição relativa do locutor.
A parte estável dá conta dessa identificação, e essa parte define basicamente o gênero. A parcela marcada pelo ‘relativamente’ dá conta desse seu dinamismo. Podemos alterar partes materiais do gênero sem que ele se altere como tal. As mudanças capazes de tornar o gênero outro gênero são aquelas que afetam seu foco, o endereçamento e o projeto enunciativo. Porque o gênero se define pragmaticamente em termos daquilo que realiza e daquele a quem se dirige.
Bakhtin é claro quanto a isso. Tema, forma de composição e estilo são meios técnicos de realização do gênero. Ninguém vai entender o gênero tentando identificar esses três elementos. Não são categorias. Apenas estão lá e não podem ser vistos de forma separada. Podemos mudá-los e manter o gênero. Eis o relativamente da expressão “relativamente estáveis”. Mas se mudarmos o projeto enunciativo, ou seja, aquilo que o gênero realiza, e o interlocutor a quem ele se dirige, na verdade, seu interlocutor típico, o gênero se torna outro. Claro que há mudanças do gênero, mas ele permanece o mesmo. Por vezes, ele apenas se diversifica.
Adaptado de: MORAES et al, F. Entrevista Especial VI: Adail Sobral. 2019. Disponível em: http://oconsoante.com.br/2019/04/09/entrevista-especial-vi/.
Os estudiosos do filósofo da linguagem Mikhail Bakhtin tem contribuído de maneira muito significativa para o ensino de leitura e escrita em língua materna. Considerando as informações expressadas no texto, assinale a alternativa para o ensino de leitura que melhor se relaciona com a interpretação dos autores.
A única alternativa comprovadamente efetiva para o ensino de leitura é a memorização alfabética, é mais importante que o aluno saiba decodificar letras para descobrir os sentidos.
O ensino de leitura baseado nas teorias dos gêneros de Bakhtin se mostra, hoje, ultrapassado, visto que o método da leitura globalizada é comprovadamente mais efetivo.
O trabalho com o gênero não é a melhor opção para o ensino de leitura, uma vez que existem apenas dois gêneros biologicamente possíveis.
O gênero é uma combinação de enunciados relativamente estáveis. O trabalho com a leitura numa perspectiva do gênero permite que o aluno guie sua interpretação a partir dessas estabilidades e reconheça diferenças significativas entre os gêneros.