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Cotas no ensino superior: uma política bem-sucedida
Para um país que historicamente se pensava como uma democracia racial, sem a necessidade de enfrentar o racismo e suas consequências, a criação de cotas no ensino superior já foi em si um marco histórico. Mas, 20 anos após a primeira experiência com cotas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e uma década depois da aprovação da lei federal de cotas, resta questionar: essas políticas foram bem-sucedidas? As informações até agora coletadas nos permitem responder afirmativamente à pergunta.
Entre 2012 e 2016, o percentual de ingressantes oriundo de escolas públicas nas instituições federais pulou de 55% para 64%. E diversas pesquisas mostram que o desempenho acadêmico de cotistas é muito similar ao de não cotistas.
Todo esse sucesso reflete o bom desenho institucional da Lei de Cotas, fruto de diversos experimentos com ações afirmativas feitos autonomamente por instituições de ensino superior antes que o regramento federal fosse aprovado. Durante uma década, essas instituições testaram diferentes modelos, de políticas de bônus no vestibular a cotas exclusivamente baseadas em critérios de classe. Depois de anos utilizando uma política de bônus, a Unicamp concluiu que a diversificação racial e socioeconômica da universidade atingia só os cursos de menor prestígio, o que justificou a transição para um sistema de cotas. Embora muitos desses experimentos tenham tido sucessos pontuais, as cotas combinando critérios socioeconômicos e raciais se revelaram de longe a modalidade mais efetiva de inclusão.
Diante de todos esses sucessos, alguns podem contra-argumentar que a política de cotas já cumpriu o seu papel e que é chegada a hora de interrompê-la.
Enquanto medida emergencial e provisória, as cotas tendem naturalmente a ser abandonadas caso sua eficácia seja atingida. Isso porque os potenciais beneficiários da política podem obter notas suficientes para ingressarem no ensino superior sem as cotas, o que a rigor já acontece em alguns casos. A tendência natural, se as cotas atingirem seus fins, é que esse percentual cresça, tornando a própria política desnecessária. Mas esse futuro ainda é distante.
(Luiz Augusto Campos; Márcia Lima.
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/. 24.02.2022. Adaptado)
Para responder às questões de números 05 e 06, considere a seguinte frase do 1° parágrafo:
• As informações até agora coletadas nos permitem responder afirmativamente à pergunta.
A noção expressa pelo termo “até”, em destaque, também pode ser corretamente identificada na seguinte frase redigida a partir do texto:
Até cursos mais disputados, como medicina, têm sido alcançados por ingressantes cotistas.
Ações afirmativas como cotas precisam ser mantidas até quando ainda se mostrarem úteis.
Das universidades menos concorridas até as de elite, todas se abriram a ingressantes cotistas.
A política de cotas é o único meio de que muitos dispõem para chegar até a universidade.
Atualmente, as cotas já são uma realidade para interessados até em programas de pós-graduação.